Operadora é condenada por cancelamento indevido de linha telefônica

Data:

operadoras de telefonia
Créditos: Dcbog | iStock

A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação da TIM S/A ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil a um consumidor que teve sua linha telefônica cancelada de forma indevida. O colegiado negou provimento ao recurso da operadora.

Segundo o relato do autor, em julho de 2023 a linha telefônica foi suspensa sem qualquer aviso prévio ou justificativa. Posteriormente, a operadora informou que o número havia sido vendido a terceiro, fato que gerou diversos transtornos ao consumidor. Ele afirmou que utilizava a linha para fins profissionais, especialmente para o agendamento de compromissos religiosos e para a divulgação de projetos sociais em redes sociais, nas quais possuía mais de 300 mil seguidores.

Após o cancelamento irregular, terceiros passaram a utilizar o número de forma indevida para a prática de golpes, o que levou o consumidor a registrar boletim de ocorrência. Diante dos prejuízos sofridos, ele ajuizou ação judicial pleiteando indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil.

Em sua defesa, a TIM S/A sustentou a inexistência de ato ilícito, alegando que a linha permaneceu ativa e sob a titularidade do cliente, sem registro de bloqueio ou transferência para terceiros. A operadora também argumentou que os eventuais transtornos configurariam mero aborrecimento, insuficiente para caracterizar dano moral, e que o consumidor dispunha de outros meios de comunicação, como redes sociais e aplicativos de mensagens.

A 2ª Vara Cível de Samambaia reconheceu a falha na prestação do serviço e condenou a empresa ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais. O juízo destacou que a operadora não comprovou suas alegações e entendeu que a situação ultrapassou o mero aborrecimento, configurando dano moral in re ipsa, diante dos prejuízos causados ao consumidor, que utilizava a linha para atividades profissionais e teve o número indevidamente utilizado por terceiros.

Inconformada, a TIM interpôs recurso. No entanto, a 2ª Turma Cível do TJDFT deixou de conhecer integralmente a apelação, ao constatar que a empresa não impugnou de forma específica os fundamentos da sentença, em afronta ao princípio da dialeticidade recursal. Conforme destacou o relator, cabe ao recorrente apresentar os fundamentos de fato e de direito que justifiquem a reforma da decisão impugnada.

O colegiado analisou apenas o pedido relativo ao valor da indenização e manteve a quantia fixada em R$ 5 mil, considerando que não houve recurso do consumidor para majoração do montante. A Turma concluiu que o valor atende aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, levando em conta as circunstâncias do caso concreto.

A decisão foi unânime.

O processo número 0712223-42.2023.8.07.0009.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo