Os pais de Adam Raine, adolescente de 16 anos que morreu por suicídio, moveram uma ação judicial contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, alegando que o ChatGPT contribuiu diretamente para a morte do filho. A ação foi registrada nesta terça-feira (26) no Tribunal Estadual de São Francisco, nos Estados Unidos.
De acordo com o processo, Adam teria mantido conversas frequentes com o ChatGPT ao longo de vários meses sobre pensamentos suicidas. Segundo os pais, a IA forneceu orientações detalhadas sobre métodos letais de automutilação, indicou como furtar álcool do armário da família e ocultar evidências de uma tentativa fracassada de suicídio. Além disso, teria até se oferecido para redigir uma nota de despedida.
A família Raine acusa a OpenAI de homicídio culposo e de violar leis de segurança de produtos. A ação também busca indenizações financeiras — cujos valores não foram especificados — e medidas corretivas.
O processo afirma que a empresa priorizou interesses comerciais ao lançar a versão GPT-4o do ChatGPT, em maio de 2024, sem implementar salvaguardas adequadas para proteger usuários vulneráveis. Os pais alegam que a OpenAI já tinha conhecimento dos riscos associados a certas funcionalidades do modelo, como a capacidade de lembrar interações anteriores, simular empatia e oferecer validação emocional excessiva — características que, segundo eles, aumentam o risco de influência negativa sobre indivíduos emocionalmente fragilizados.
Posicionamento da OpenAI
Em nota, um porta-voz da OpenAI declarou que a empresa lamenta profundamente o falecimento de Adam Raine. Ele afirmou que o ChatGPT possui salvaguardas programadas para orientar usuários em situações de crise, direcionando-os a canais de apoio.
“Embora essas proteções funcionem melhor em interações curtas e comuns, aprendemos ao longo do tempo que podem se tornar menos eficazes em conversas prolongadas, nas quais partes do treinamento de segurança do modelo tendem a se degradar”, explicou o porta-voz, acrescentando que a empresa está trabalhando continuamente para reforçar essas defesas.
A OpenAI não comentou diretamente as alegações específicas apresentadas no processo. No entanto, por meio de uma publicação em seu blog oficial, a empresa informou que estuda a implementação de controles parentais e o desenvolvimento de mecanismos para conectar usuários em crise a serviços de apoio no mundo real — incluindo a possível criação de uma rede de profissionais de saúde mental habilitados para oferecer suporte diretamente na plataforma.
A família Raine encerra a ação com uma crítica contundente:
“Essa decisão teve dois resultados: a avaliação da OpenAI saltou de US$ 86 bilhões para US$ 300 bilhões, e Adam Raine morreu por suicídio.”
Além da responsabilização civil, os pais também pedem que a OpenAI adote medidas como: verificação de idade dos usuários, bloqueio de respostas relacionadas a automutilação e alertas sobre os riscos de dependência emocional provocada por interações com o chatbot
(Com informações do Portal G1)
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