
A Polícia Militar de São Paulo oficializou a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente sob acusação de feminicídio contra a soldado Gisele Alves Santana e de fraude processual. Na carreira militar, a medida corresponde à aposentadoria.
Embora a transferência já tivesse sido anunciada anteriormente por meio de portaria, o despacho que formaliza a decisão foi publicado nesta terça-feira (9) no Diário Oficial do Estado de São Paulo. O documento é assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior.
Com a publicação, o oficial passa oficialmente à condição de inativo da corporação. A medida, contudo, gerou críticas por parte da defesa da família da vítima. Em publicação nas redes sociais, o advogado Miguel José da Silva Junior afirmou ter ficado surpreso com a rapidez da tramitação do processo de aposentadoria.
Segundo ele, a decisão representa um tratamento privilegiado ao acusado. O advogado ressaltou, entretanto, que a transferência para a reserva não impede o andamento do Conselho de Justificação, procedimento administrativo que pode resultar na exclusão definitiva do oficial da corporação.
“O Conselho de Justificação seguirá normalmente e temos convicção de que ele será demitido. Não é justo que alguém acusado de um crime tão grave continue recebendo recursos pagos pela população, inclusive pelos pais da própria vítima”, declarou.
Investigação apontou indícios de homicídio
A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 18 de fevereiro deste ano, no apartamento onde vivia com o marido, na capital paulista. Inicialmente, o caso foi comunicado às autoridades como suicídio pelo próprio tenente-coronel, que acionou o socorro.
Posteriormente, a investigação passou a tratar a ocorrência como morte suspeita. Exames periciais realizados pelo Instituto Médico Legal identificaram sinais de agressão incompatíveis com a hipótese de suicídio. Desde o início, familiares da policial contestaram a versão apresentada pelo oficial.
Em nota, a Polícia Militar informou que a transferência para a reserva ocorreu em conformidade com a legislação vigente e não interfere na apuração dos fatos nem em eventual responsabilização criminal ou administrativa.
A corporação esclareceu ainda que o pagamento dos proventos do militar passou a ser responsabilidade da São Paulo Previdência (SPPrev), órgão gestor do regime previdenciário estadual. De acordo com a PM, uma eventual perda do posto, da patente e da remuneração somente poderá ocorrer após decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.
Processos seguem em andamento
A Polícia Militar informou que a Corregedoria concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM), encaminhando o procedimento à Justiça. Paralelamente, a Polícia Civil também finalizou o inquérito criminal e remeteu o caso ao Poder Judiciário.
Além disso, foi instaurado um Conselho de Justificação, publicado no Diário Oficial em 31 de março de 2026. O procedimento administrativo segue em fase de instrução e tramita de forma independente da ação penal.
(Com informações da Agência Brasil por Elaine Patrícia Cruz)
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