Possível delação de dono do Banco Master gera tensão no STF

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Créditos: Lenka Horavova / Shutterstock.com

O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam os desdobramentos de uma eventual delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que pode citar ministros da Corte. A hipótese é vista como um desafio institucional, especialmente para o relator do caso, ministro André Mendonça, e para o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Nos bastidores, autoridades reconhecem que, caso haja menções a integrantes do STF, será necessário equilibrar cautela e rigor na condução das investigações, evitando tanto prejulgamentos quanto omissões diante de possíveis provas.

Segundo interlocutores, Mendonça tem defendido que a apuração deve seguir critérios técnicos, sem perseguições, mas ressalta que, diante de evidências concretas, a investigação deve avançar, independentemente de quem seja citado.

A negociação do acordo de delação envolve a PGR e a Polícia Federal, e exige que o empresário apresente provas inéditas e indique a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma ilícita. Autoridades destacam que não é possível aceitar uma colaboração seletiva, na qual o investigado escolha quem será citado.

O caso ganhou repercussão após a apreensão de mensagens no celular de Vorcaro, no âmbito de investigação sobre fraudes financeiras, que teriam mencionado ministros do STF. As informações aumentaram a pressão sobre a Corte quanto à condução do caso.

Há também preocupação interna com eventuais excessos, diante de críticas anteriores à condução de grandes operações, como a Lava Jato. Ministros defendem cautela para evitar decisões baseadas em elementos frágeis que possam comprometer a credibilidade do Judiciário.

O desfecho dependerá da validação do acordo de delação e da consistência das provas apresentadas, em um cenário que pode testar os limites institucionais do STF e da atuação do Ministério Público.

(Com informações da Folha de São Paulo por Luísa Martins e Ana Pompeu)

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