Presidentes dos TREs manifestam apoio a recomendações do TSE e destacam reforço à transparência nas Eleições 2026

Data:

Responsável pela obtenção de dados do Facebook repassados à Cambridge Analytica diz que eles não poderiam influenciar eleições

Em reunião administrativa realizada em 10 de fevereiro de 2026, na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) manifestaram apoio às recomendações apresentadas pela presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, destinadas a orientar a atuação de magistradas e magistrados da Justiça Eleitoral durante as Eleições Gerais de 2026.

As diretrizes, anunciadas na sessão de abertura do ano eleitoral e detalhadas no encontro com os dirigentes regionais, visam fortalecer a ética, a transparência e a imparcialidade na condução dos trabalhos eleitorais, com vistas à preservação da confiança da sociedade no processo democrático.

Ênfase na uniformização e na confiança institucional

Durante o encontro, os presidentes dos TREs destacaram que as recomendações contribuem para a uniformização de condutas e para o reforço da credibilidade institucional da Justiça Eleitoral, especialmente em ano de eleições gerais, quando se intensifica a responsabilidade jurisdicional e administrativa do ramo especializado do Judiciário.

O presidente do TRE do Rio de Janeiro, desembargador Claudio de Mello Tavares, ressaltou que, além da função jurisdicional, a Justiça Eleitoral exerce atribuições administrativas na organização do pleito, o que demanda redobrada cautela. Informou que as orientações serão transmitidas à Corte Regional e aos juízes eleitorais do estado para rigoroso cumprimento.

No mesmo sentido, o presidente do TRE da Paraíba, desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, afirmou que as recomendações éticas serão integralmente repassadas aos magistrados eleitorais paraibanos, enfatizando que tais diretrizes são inerentes ao exercício da magistratura, sobretudo na relação com agentes políticos.

Dirigentes de outros regionais, como os presidentes dos TREs do Distrito Federal, de São Paulo, de Minas Gerais, do Paraná, do Acre, do Maranhão e de Goiás, igualmente manifestaram apoio às orientações, qualificando-as como oportunas, necessárias e alinhadas ao fortalecimento da democracia e à preservação da isenção judicial.

Foi destacado, ainda, o cuidado do TSE em considerar as especificidades regionais na formulação das recomendações, reconhecendo as distintas realidades enfrentadas pelos tribunais eleitorais nos diversos estados.

Conteúdo das recomendações

A ministra Cármen Lúcia enfatizou que as diretrizes buscam assegurar a uniformidade de condutas e a consolidação da credibilidade institucional no período eleitoral.

As recomendações reforçam, entre outros pontos:

  • a obrigatoriedade de publicidade das audiências com partes, advogados, candidatas, candidatos e partidos políticos, com divulgação prévia das agendas, inclusive quando realizadas fora do ambiente institucional;
  • a adoção de postura comedida em manifestações públicas ou privadas relacionadas ao processo eleitoral;
  • a abstenção de comparecimento a eventos que possam gerar conflito de interesses ou comprometer a percepção de imparcialidade;
  • a vedação a manifestações de cunho político, inclusive em redes sociais;
  • a proibição de recebimento de presentes ou favores que possam suscitar dúvida quanto à isenção do julgador;
  • o impedimento em processos que envolvam escritórios de advocacia com vínculo do magistrado;
  • a restrição ao exercício de atividades não judiciais que comprometam as funções institucionais;
  • a garantia de que apenas autoridades competentes divulguem atos judiciais e administrativos;
  • a reafirmação da transparência como princípio republicano essencial, assegurando ao eleitorado acesso a informações seguras e baseadas em fatos.

Segundo os participantes, as orientações representam medida preventiva e pedagógica, voltada à preservação da integridade, da neutralidade e da confiança pública na Justiça Eleitoral no contexto das Eleições Gerais de 2026.

(Com informações do TSE)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Primeiros processos sob nova sistemática da relevância da questão federal serão analisados pelo STJ

O STJ realizará, entre 30 de setembro e 6 de outubro, as primeiras sessões virtuais para análise de processos submetidos à nova sistemática da relevância da questão federal. As três Seções especializadas examinarão controvérsias relacionadas a atividade especial por exposição à eletricidade, honorários advocatícios em cobranças de taxas condominiais e utilização da palavra da vítima em processos envolvendo estupro de vulnerável e assédio sexual. O novo sistema prevê diferentes procedimentos conforme o reconhecimento ou não da relevância e poderá resultar na formação de precedentes qualificados.

Banco Central amplia de 30 para 80 dias prazo para contestar devoluções do Pix pelo MED

O Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestação de devoluções realizadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix quando o recebedor suspeitar que o mecanismo foi acionado de forma fraudulenta. A mudança entrou em vigor em 1º de setembro e beneficia especialmente comerciantes e prestadores de serviços que podem sofrer com falsas alegações de fraude após receberem pagamentos. O prazo para a vítima de um golpe solicitar o MED permanece em até 80 dias após a transferência original.

Cristiano Zanin é reconduzido ao cargo de ministro substituto do TSE por mais dois anos

O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi reconduzido para mais dois anos no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele integra a composição da corte eleitoral desde agosto de 2024. O TSE é formado por sete ministros titulares e sete substitutos, com representação do STF, do STJ e da advocacia. O novo mandato de Zanin terá duração de dois anos, conforme as regras aplicáveis aos ministros indicados pelo Supremo.

STJ aplica multa por litigância de má-fé após identificar comando oculto para manipular sistema de IA

A Segunda Turma do STJ aplicou multa de 10% sobre o valor da causa por litigância de má-fé após identificar um prompt injection oculto em uma petição de recurso especial assinada por um procurador municipal. O comando buscava influenciar sistemas de inteligência artificial do tribunal para favorecer o pedido apresentado no processo. O STJ considerou a conduta grave e determinou a comunicação do caso à OAB, ao MPF, à Polícia Federal e ao município. O relator destacou que advogados são responsáveis pelo conteúdo das peças que assinam e protocolam, devendo garantir sua autenticidade e regularidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo