STF mantém prisão preventiva de investigado por suposta venda de decisões no STJ e afasta alegação de risco à saúde

Data:

concurso
Créditos: Andrey Popov | iStock

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão preventiva do empresário Andreson Oliveira, investigado por suposta participação em esquema de comercialização de decisões judiciais no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O colegiado acompanhou o voto do relator, ministro Cristiano Zanin, no sentido de que não estão presentes elementos que justifiquem a substituição da custódia por prisão domiciliar ou a transferência para unidade prisional diversa.

A defesa havia requerido a revogação da prisão ou, subsidiariamente, sua conversão em domiciliar, com fundamento em laudo do Instituto Médico Legal (IML) que apontava perda significativa de peso e necessidade de exames médicos urgentes. Argumentou-se que o investigado não disporia de condições adequadas de tratamento no regime de segurança máxima do Presídio Federal de Brasília.

Ao analisar o pedido, o relator considerou informações supervenientes constantes dos autos, inclusive laudo elaborado por peritos da Polícia Federal, que levantou a hipótese de simulação deliberada dos sintomas. Segundo registros da polícia penal, o investigado teria combinado com outro detento a recusa de alimentação com o objetivo de provocar emagrecimento acentuado e, assim, fundamentar pleito de prisão domiciliar.

Em seu voto, Cristiano Zanin destacou que o laudo pericial da Polícia Federal “questiona a conclusão do laudo antecedente em razão da hipótese de intenção deliberada de simular os sintomas”, afastando, nesse momento processual, a alegação de risco concreto e atual à saúde que justificasse a flexibilização da medida cautelar. Os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia acompanharam o relator, formando maioria na Turma.

Contexto da investigação

Andreson Oliveira é investigado no âmbito da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2024, que apura a existência de suposto esquema de intermediação ilícita junto a assessores de ministros do STJ para obtenção antecipada de decisões judiciais, antes de sua publicação oficial, mediante pagamento de vantagens indevidas.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal em razão da possível participação de pessoas com prerrogativa de foro.

Tese defensiva

A defesa sustenta a inexistência de irregularidades e afirma que o empresário seria vítima de lawfare, caracterizado pelo uso estratégico do aparato judicial para fins persecutórios. Também alega que o estado de saúde é real e que o vazamento de informações relacionadas à investigação teria contribuído para o agravamento do quadro clínico.

Além de indeferir o pedido de prisão domiciliar, a Primeira Turma rejeitou a transferência do investigado para presídio estadual, mantendo sua custódia no sistema penitenciário federal, sob regime de segurança máxima.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo