STF mantém prisões preventivas de ex-presidente do BRB e advogado investigados no caso Master

Data:

Importunação sexual - estupro coletivo
Créditos: Andrey Popov | iStock

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu manter as prisões preventivas do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, e do advogado Daniel Lopes Monteiro, no âmbito das investigações conhecidas como caso Master. A decisão foi tomada em sessão virtual extraordinária concluída na sexta-feira (24).

O colegiado referendou a decisão liminar do relator, ministro André Mendonça, proferida na Petição 15771. Acompanharam integralmente o voto os ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Já o ministro Gilmar Mendes apresentou divergência parcial, enquanto Dias Toffoli declarou-se suspeito para atuar no caso.

As investigações apuram suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo a negociação de carteiras de crédito entre o BRB e o Banco Master, no âmbito do Inquérito 5026, também sob relatoria de Mendonça. Segundo o ministro, há indícios consistentes da prática de crimes contra o sistema financeiro, incluindo gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com o relator, os elementos reunidos apontam para a existência de uma estrutura ilícita voltada à criação e comercialização de ativos fictícios, com impacto estimado em R$ 12,2 bilhões. Ele destacou ainda possíveis atuações irregulares do ex-presidente do BRB para favorecer tais operações, bem como a participação do advogado na constituição de empresas de fachada destinadas à ocultação de patrimônio.

Ao justificar a manutenção das prisões, Mendonça afirmou que a medida é necessária para garantir a ordem pública e econômica, além de evitar a destruição de provas e interferências nas investigações. Para o ministro, medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos.

Em voto divergente parcial, Gilmar Mendes concordou com a prisão do ex-presidente do BRB, mas defendeu a substituição da custódia do advogado por prisão domiciliar, com aplicação de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com investigados e testemunhas, além da restrição ao exercício da advocacia em casos relacionados às apurações. Segundo ele, tais medidas seriam suficientes para mitigar os riscos apontados pela investigação.

(Com informações do STF por Thays Rosário)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo