STJ analisa legalidade do monitoramento de conversas entre presos e advogados

Data:

STJ analisa legalidade do monitoramento de conversas entre presos e advogados | Juristas

Está em julgamento na 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) um recurso que discute a validade do monitoramento de todas as conversas entre presos, advogados e servidores no presídio de Planaltina (GO).

O tema já havia sido analisado pelo mesmo colegiado no RMS 65.988/2023, quando a medida foi inicialmente validada pelo juízo de primeira instância. Atualmente, discute-se a prorrogação do monitoramento por mais um ano, levada ao STJ por meio de mandado de segurança.

Posição das partes

O relator do recurso, ministro Joel Ilan Paciornik, votou pela licitude e cabimento da prorrogação do monitoramento, destacando que a medida é compatível com o binômio de adequação e proporcionalidade, considerando que sua execução respeita limitações destinadas a preservar o exercício da advocacia e o direito de defesa. O ministro Messod Azulay pediu vista para análise mais detalhada.

A subseção de Goiás da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) argumenta que a medida é generalizada e inconstitucional, partindo de uma presunção associada a casos isolados de advogados envolvidos em ilícitos. O advogado Pedro Paulo Guerra de Medeiros destacou que a interceptação deveria ser individualizada e fundamentada, baseada em indícios concretos de participação em crimes:

“Não se trata de negar que advogado possa ser interceptado. Mas a decisão deve ser judicial, fundamentada e delimitada ao caso concreto, como excepcional medida.”

Em contraposição, o procurador-geral de Justiça de Goiás, Rafael Arruda Oliveira, sustentou que há indícios concretos de que atendimentos com advogados são utilizados para transmissão de ordens ilícitas entre presos e facções criminosas, justificando o monitoramento generalizado:

“A lógica é simples: se se fiscaliza apenas um agente, ele é substituído para manter a finalidade ilícita. Por isso, é necessário acompanhar todos os interlocutores.”

Limites e controle

Segundo o voto do relator, a medida tem caráter proporcional e controlado, com determinações do juízo de origem para que o monitoramento se restrinja a fatos atuais ou futuros, e que sejam desconsideradas informações relativas exclusivamente ao exercício da advocacia ou ao direito de defesa. Os dados obtidos passam por filtragem pelo diretor do estabelecimento prisional.

“O juízo de origem ponderou a proporcionalidade do monitoramento, avaliando a adequação do meio em relação aos fins pretendidos, garantindo o uso da forma menos invasiva possível”, afirmou Paciornik.

O julgamento do RMS 71.630 permanece em curso, com repercussão sobre a possibilidade de monitoramento generalizado em unidades prisionais de segurança máxima e sobre os limites constitucionais à inviolabilidade da comunicação entre presos e advogados.

(Com informações do ConJur por Danilo Vital)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo