STJ permite inclusão de cônjuge do devedor em execuções, mesmo sem assinatura no contrato

Data:

novo casamento sem se divorciar
Créditos: Andrey Popov | iStock

O Superior Tribunal de Justiça, ao analisar o Recurso Especial nº 2.195.589, consolidou um novo entendimento que deve impactar a condução das execuções no país: passa a ser possível incluir o cônjuge do devedor no polo passivo da ação mesmo que ele não tenha firmado o contrato ou o título que originou a dívida — desde que o débito tenha sido assumido durante o casamento e em benefício da entidade familiar.

Patrimônio do casal pode ser alcançado

Na prática, a decisão autoriza que bens do cônjuge não participante do negócio sejam bloqueados, como valores em contas bancárias, imóveis, veículos e demais bens penhoráveis relacionados à vida familiar.

Segundo o voto da ministra Nancy Andrighi, relatora, no regime de comunhão parcial de bens existe presunção absoluta de esforço comum, ainda que determinado bem esteja registrado no nome de apenas um dos cônjuges. Ela ressalta que também se presume o consentimento para atos essenciais à manutenção econômica da família.

Assim, a possibilidade de inclusão do cônjuge varia conforme o regime de bens adotado no casamento. A decisão afeta principalmente os casais casados sob comunhão parcial e comunhão universal, previstos nos artigos 1.658 a 1.671 do Código Civil. O objetivo é ampliar a efetividade da execução e permitir que bens utilizados pelo núcleo familiar sejam alcançados para quitar a dívida.

Possíveis conflitos com o CPC

O entendimento foi fundamentado nos artigos 1.643 e 1.644 do Código Civil, que tratam da responsabilidade solidária por dívidas contraídas em favor da família. No entanto, a decisão gera preocupações: ao presumir responsabilidade, coloca sobre o cônjuge o dever de provar que a dívida não trouxe nenhuma vantagem ao casal ou que o bem penhorado é incomunicável.

Críticos apontam que a medida pode conflitar com o Código de Processo Civil, que determina que somente quem assinou o título executivo pode ser demandado, salvo exceções legais expressas. Há risco, portanto, de violação ao direito de propriedade e ao devido processo legal.

Caso o cônjuge demonstre que não anuiu à dívida e que ela não beneficiou a família, sua responsabilização pode ser afastada.

Avanço com cautela

A decisão representa um avanço na busca por maior efetividade das execuções, mas não pode resultar em punições automáticas. A inclusão do cônjuge deve estar amparada por provas de que o débito foi assumido em favor da entidade familiar.

O novo entendimento amplia as ferramentas para satisfação dos créditos, mas exige cuidado redobrado de advogados e magistrados para evitar abusos e preservar a proteção patrimonial da família.

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo