Supremo decide que TSE não pode criar regras mais duras que as previstas em lei

Data:

Quando julgou a resolução do Tribunal Superior Eleitoral sobre a rejeição de contas dos diretórios partidários locais, o Supremo Tribunal Federal deu um recado: ao regulamentar as normas eleitorais, o TSE não pode ir além do que diz a lei. Não faz sentido, portanto, que a corte eleitoral preveja consequências mais graves aos partidos do que o próprio Congresso, o autorizado pela Constituição a legislar sobre matéria eleitoral.

Terminou na quinta-feira (5/12), o julgamento e, por maioria, venceu o voto do ministro Gilmar Mendes, relator. Ele já havia imposto medida cautelar para suspender os efeitos do artigo 42 da Resolução 23.571/2018. O dispositivo dizia que o diretório municipal ou estadual dos partidos que tivessem as contas rejeitadas teriam o registro cancelado até que fosse regularizada a situação.

Portanto, a resolução, desfez o que a minirreforma eleitoral de 2015 fizera: acabou com a suspensão do registro de diretórios regionais por falta de prestação de contas. Para o ministro Gilmar, o TSE não pode usar de seu poder regulamentador para isso.

Em 2009, segundo o ministro, a Lei 12.304 estabeleceu as consequências para os casos de órgãos regionais que deixem de prestar contas: suspensão do recebimento de verbas do Fundo Partidário e devolução do dinheiro, com multa de até 20%. A possibilidade de o TSE cassar o registro, disse a lei, só se aplica aos casos de falta de prestação de contas (ou faltas graves na prestação) por órgãos nacionais.

Argumenta o ministro Gilmar, e mesmo assim, outra resolução do TSE, de 2017, diz que, rejeitadas as contas, o TSE deve enviar o acórdão para o Ministério Público, para que ajuíze uma ação autônoma de cassação do registro. Portanto, há um rito a ser seguido para que o registro de um partido seja cassado ou suspenso, respeitando o devido processo legal e o princípio da ampla defesa, afirma Gilmar Mendes.

A interpretação correta da resolução do TSE, escreveu o ministro, no voto, é a de que a suspensão do registro de órgãos regionais dos partidos deve seguir um rito específico.

“Ou seja, as normas impugnadas, ao determinarem a suspensão do registro ou anotação do partido como consequência imediata do julgamento das contas, padecem de vício de inconstitucionalidade por violarem o due process of law [devido processo legal]”, afirma Gilmar. “É necessário, portanto, que, após o julgamento das contas, seja aberto processo específico visando à suspensão do órgão partidário regional ou zonal como sanção em razão da não prestação de contas.”

 

ADI 6.032

Clique aqui para ler o voto do ministro Gilmar Mendes

 

Fonte: Conjur

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ezyle Rodrigues de Oliveira
Ezyle Rodrigues de Oliveira
Produtora de conte

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo