Talco da Johnson & Johnson gera nova condenação milionária nos Estados Unidos

Data:

Naufrágio - Indenização
Créditos: Kesu01 / iStock

Um júri de Los Angeles, nos Estados Unidos, concedeu, na sexta-feira, uma indenização de US$ 40 milhões a duas mulheres que afirmam ter desenvolvido câncer de ovário em razão do uso de talco produzido pela Johnson & Johnson (J&J). A empresa informou que pretende recorrer da decisão, contestando tanto a responsabilização civil quanto o valor fixado a título de danos.

O veredicto representa mais um capítulo de uma longa disputa judicial envolvendo alegações de que o talco presente em produtos como Johnson’s Baby Powder e Shower to Shower estaria associado ao câncer de ovário e ao mesotelioma — tipo de câncer que afeta os pulmões e outros órgãos. Diante das controvérsias, a Johnson & Johnson interrompeu a venda de talco em pó em todo o mundo em 2023.

O julgamento integra uma série de processos movidos contra a Johnson & Johnson nos Estados Unidos ao longo das últimas décadas. Em diversas ações, consumidores alegam que o uso prolongado de produtos à base de talco teria contribuído para o desenvolvimento de doenças graves, especialmente câncer de ovário e mesotelioma. A empresa, por sua vez, sempre negou a existência de relação causal entre o talco e essas enfermidades, sustentando que seus produtos atendiam às normas de segurança vigentes à época da comercialização.

Apesar dessa posição, a companhia tem sofrido derrotas relevantes nos tribunais norte-americanos, com decisões que resultaram em condenações bilionárias, posteriormente revistas ou reduzidas em instâncias superiores. Em outubro, outros julgamentos semelhantes voltaram a colocar o tema em evidência, reforçando o debate sobre a responsabilidade das empresas na informação adequada aos consumidores sobre potenciais riscos à saúde.

Em meio às disputas judiciais, a Johnson & Johnson anunciou, em 2023, a suspensão definitiva da venda de talco em pó em escala global, substituindo os produtos por versões à base de amido de milho. A empresa afirmou que a decisão teve como objetivo atender à demanda dos consumidores e reduzir controvérsias, sem admitir culpa ou risco comprovado associado ao talco.

Especialistas apontam que decisões como a de Los Angeles tendem a influenciar outros processos em andamento, embora cada caso seja analisado de forma individual, de acordo com as provas apresentadas. A expectativa é de que a J&J continue a recorrer das condenações, prolongando a disputa judicial sobre o tema nos próximos anos.

(Com informações do UOL)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo