TJ-MG condena fabricante de roupas esportivas por não reembolsar cliente após devolução de produto

Data:

Vendedor de roupas ofendido quanto à orientação sexual receberá indenização / moda
Créditos: Por hxdbzxy / shutterstock.com

Uma fabricante de artigos esportivos foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) a indenizar uma consumidora que devolveu um produto adquirido pela internet após exercer o direito de arrependimento, mas não recebeu o reembolso devido.

A decisão foi proferida pela 17ª Câmara Cível do TJ-MG, que fixou indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil. Para os magistrados, a situação ultrapassou o mero dissabor cotidiano, uma vez que a consumidora precisou despender tempo e esforços para tentar solucionar um problema que não havia causado.

De acordo com os autos, a cliente comprou um blusão em uma loja virtual oficial da marca pelo valor de R$ 310. Após receber o produto, constatou que o tamanho não era adequado e optou por devolvê-lo dentro do prazo legal previsto para compras realizadas fora do estabelecimento comercial.

Apesar de ter realizado a devolução, a consumidora não recebeu o valor pago. Diante da ausência de solução pelos canais de atendimento da empresa, ingressou com ação judicial requerendo a restituição da quantia desembolsada e indenização por danos morais.

Em sua defesa, a fabricante alegou que o estorno não foi efetuado em razão de uma falha no sistema, sustentando que não houve má-fé ou resistência deliberada em devolver o dinheiro. A empresa também argumentou que o caso configuraria apenas um mero aborrecimento, insuficiente para justificar reparação moral.

Em primeira instância, o juízo da Comarca de Caratinga determinou apenas a devolução dos valores pagos, afastando o pedido de indenização. A consumidora, contudo, recorreu da decisão.

Ao analisar o recurso, o relator do caso, desembargador Amauri Pinto Ferreira, reformou parcialmente a sentença. Segundo ele, a retenção indevida do valor após o exercício regular do direito de arrependimento gerou prejuízo que vai além do simples transtorno.

No voto, o magistrado destacou que o não reembolso dos valores pagos pelo consumidor, mesmo após a devolução do produto, ocasionou um “franco desvio de tempo produtivo”, situação que caracteriza dano moral passível de compensação.

A decisão foi unânime pela condenação da empresa ao pagamento da indenização.

O acórdão tramita sob o nº 1.0000.26.182980-8/001.

(Com informações do TJ-MG)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo