TJ-MG identifica petições com comandos ocultos para manipular análises de inteligência artificial

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Inteligência Artificial advogados
Créditos: Phonlamai Photo | iStock

O avanço do uso da inteligência artificial no Judiciário brasileiro tem trazido novos desafios para a segurança e a integridade dos processos judiciais. Em Minas Gerais, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) identificou ao menos dois casos em que advogados inseriram comandos ocultos em petições eletrônicas com o objetivo de influenciar eventuais análises realizadas por ferramentas de IA.

A estratégia consistia em incluir instruções invisíveis à leitura convencional, mas capazes de serem detectadas por sistemas automatizados de processamento de linguagem. As mensagens continham orientações destinadas a direcionar a interpretação dos documentos e favorecer uma das partes envolvidas no litígio.

Instruções buscavam interferir na análise dos processos

De acordo com o tribunal, os comandos ocultos determinavam, entre outras ações, que sistemas de inteligência artificial desconsiderassem argumentos apresentados pela parte adversária, ignorassem determinados trechos do processo e até sugerissem conclusões favoráveis ao interessado que protocolou a petição.

A prática, conhecida internacionalmente como prompt injection, vem despertando atenção em diversos setores que utilizam inteligência artificial, especialmente em ambientes nos quais a imparcialidade e a confiabilidade das análises são essenciais.

Casos foram identificados em Ibirité e Belo Horizonte

Um dos episódios ocorreu na comarca de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. Durante a análise de um recurso, a magistrada responsável detectou a existência de mensagens ocultas direcionadas especificamente a ferramentas de inteligência artificial.

Situação semelhante foi constatada em outro processo em tramitação na capital mineira. Segundo o TJ-MG, a petição continha instruções escondidas destinadas a interferir no comportamento de sistemas automatizados que eventualmente fossem utilizados para auxiliar na análise das informações processuais.

Tribunal apontou violação da boa-fé processual

Ao examinar os casos, o tribunal concluiu que a conduta afronta os deveres de lealdade, transparência e boa-fé que devem nortear a atuação das partes e de seus representantes no processo judicial.

Diante da constatação, foram aplicadas multas por litigância de má-fé aos responsáveis. As decisões também determinaram o encaminhamento dos casos à seccional mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e aos órgãos competentes para apuração de eventuais responsabilidades disciplinares e outras medidas cabíveis.

Desafio crescente com a adoção da IA no Judiciário

Os episódios evidenciam uma nova frente de preocupação relacionada ao uso da inteligência artificial no sistema de Justiça. À medida que ferramentas tecnológicas passam a auxiliar atividades de pesquisa, organização e análise de informações processuais, aumenta também a necessidade de mecanismos capazes de prevenir tentativas de manipulação dos sistemas.

Especialistas apontam que o fenômeno reforça a importância de protocolos de segurança, auditoria e supervisão humana no uso de soluções baseadas em IA, especialmente em atividades relacionadas à prestação jurisdicional.

(Com informações da Agência Brasil por Gustavo Abreu)

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