TJ-SP identifica uso de “prompt injection” em ações e aponta possível litigância predatória com IA

Data:

Modelo de Documento - Cessão de Software - Programa de Computador
Créditos: peshkova / Depositphotos

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) identificou o uso da técnica conhecida como “prompt injection” em processos judiciais distribuídos nas comarcas de Campinas e da capital paulista. A prática consiste na inserção de comandos ocultos em sistemas de inteligência artificial para tentar manipular respostas automatizadas.

Segundo os magistrados, foram encontrados indícios de que petições iniciais continham instruções invisíveis ao olho humano, escritas em fonte branca sobre fundo branco, mas detectáveis por ferramentas tecnológicas. O comando orientava possíveis sistemas de IA a deferirem pedidos automaticamente, como justiça gratuita, tutela de urgência e citação da parte ré.

As ações analisadas apresentavam padrão repetitivo e foram atribuídas a um mesmo advogado, com indícios de litigância predatória e uso de petições padronizadas com manipulação tecnológica.

Em uma das decisões, o juiz classificou a conduta como grave e ofensiva à dignidade do Judiciário, apontando a ocorrência de fraude processual e litigância predatória em massa. O magistrado julgou os pedidos improcedentes, aplicou multa por litigância de má-fé equivalente a 10 salários-mínimos ao advogado e determinou o envio do caso ao Ministério Público, à Corregedoria-Geral da Justiça e às seccionais da OAB de São Paulo e Santa Catarina para apuração criminal e disciplinar.

A identificação do chamado “prompt injection” ocorreu durante o uso supervisionado de ferramentas de inteligência artificial por magistrados do TJ-SP, em conformidade com a Resolução CNJ nº 615/2025, que estabelece diretrizes para o uso de IA no Poder Judiciário. O modelo adotado pelo tribunal exige revisão humana obrigatória e proíbe decisões automatizadas sem controle judicial.

Para o tribunal, ainda que a tecnologia tenha permitido identificar os comandos ocultos, a prática revela grave violação ética e processual, por comprometer a boa-fé e a integridade do sistema de Justiça.

(Com informações do TJ-SP)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo