TJDFT autoriza tutora a permanecer com papagaio silvestre após mais de dez anos de convivência

Data:

Papagaio
Créditos: AndrewLozovyi / Depositphotos

A 7ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) autorizou uma moradora do Distrito Federal a manter sob sua guarda definitiva um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que vive com a família há mais de uma década.

A tutora ajuizou a ação após ter recebido o animal de presente de um amigo cerca de dez anos atrás. No processo, ela sustentou que o papagaio está completamente domesticado, adaptado ao convívio humano e integrado à rotina familiar. Argumentou ainda que a retirada da ave do ambiente doméstico poderia causar prejuízos tanto ao animal quanto à família, em razão do vínculo afetivo e da dependência estabelecida ao longo dos anos. A autora reconheceu não possuir autorização ambiental ou documentos que comprovassem a origem legal do papagaio.

Em primeira instância, a Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal julgou o pedido improcedente, ao entender que a manutenção de animal silvestre em cativeiro sem licença configura crime ambiental, conforme previsto na Lei nº 9.605/1998.

Ao recorrer, a tutora alegou que a decisão desconsiderou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, além de ignorar o bem-estar do animal. Também citou precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do próprio TJDFT que admitem, em situações excepcionais, a permanência de animais silvestres em ambiente doméstico.

Ao analisar o recurso, a 7ª Turma Cível destacou que a jurisprudência do STJ permite, de forma excepcional, a guarda doméstica de animal silvestre quando comprovada a adaptação ao convívio humano, a ausência de maus-tratos e o risco à saúde do animal em caso de reinserção na natureza. Para o colegiado, a legislação ambiental deve ser interpretada com foco na efetiva proteção da fauna.

“A apreensão de animal que vive há anos em ambiente doméstico, bem cuidado e plenamente integrado à família, mostra-se desarrazoada e contrária à finalidade da norma ambiental”, consignou a Turma.

Os desembargadores concluíram que as provas dos autos demonstram que o papagaio se encontra saudável, não sofreu maus-tratos e está habituado ao convívio doméstico há mais de dez anos, sendo desaconselhável sua devolução ao habitat natural, por potencial risco à sua sobrevivência.

Segundo o colegiado, a concessão da guarda doméstica, nesse contexto específico, não compromete a proteção ao meio ambiente e atende ao princípio do bem-estar animal, permitindo a mitigação da vedação legal à posse irregular à luz dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.

A decisão foi unânime.

Processo nº 0702628-55.2024.8.07.0018

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo