TJDFT garante reembolso integral de passagens canceladas no prazo de arrependimento, mesmo em tarifa promocional

Data:

Ato de improbidade administrativa afastado
Créditos: conejota / iStock

A 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação de uma companhia aérea à restituição integral do valor pago por passagens aéreas canceladas dentro do prazo legal de arrependimento, ainda que a compra tenha sido realizada em tarifa promocional.

No caso, a consumidora adquiriu as passagens pela internet e exerceu o direito de desistência dentro do prazo de sete dias previsto no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Entretanto, em vez de devolver integralmente os valores pagos, a empresa disponibilizou parte do montante em crédito vinculado à própria companhia, utilizável apenas em futuras compras.

Ao analisar o recurso, o colegiado entendeu que a prática restringe a liberdade de escolha do consumidor e viola o direito ao reembolso integral em dinheiro, assegurado nas contratações realizadas fora do estabelecimento comercial, como as efetuadas pela internet.

Segundo os desembargadores, a opção por uma tarifa promocional não afasta a incidência das normas protetivas do Código de Defesa do Consumidor, sendo vedada a imposição de qualquer condição que limite a restituição dos valores ao consumidor.

Com esse entendimento, a Turma manteve a condenação da companhia aérea à devolução integral de R$ 1.972,60, acrescida de correção monetária e juros legais.

Por outro lado, o colegiado reformou parcialmente a sentença para excluir a condenação ao pagamento de R$ 3 mil por danos morais. Para os magistrados, o descumprimento contratual, por si só, não gera o dever de indenizar, sendo necessária a demonstração de efetivo abalo à esfera pessoal do consumidor.

Os desembargadores também afastaram a aplicação da teoria do desvio produtivo do consumidor, ao concluírem que não houve prova de que a situação tenha causado prejuízo significativo ao tempo útil ou à rotina da autora.

A decisão foi unânime.

Acesse o PJe2 e saiba mais sobre o processo:  0751330-49.2025.8.07.0001

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo