STF mantém decisão que extingue aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados

Data:

stf
Créditos: 5second | iStock

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, nesta terça-feira (30), manter o entendimento que afasta a aposentadoria compulsória como sanção máxima aplicável a magistrados condenados por infrações disciplinares graves, como corrupção, venda de decisões judiciais, assédio moral e assédio sexual.

O colegiado rejeitou recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra decisão do ministro Flávio Dino, relator da ação, que, em março deste ano, concluiu que a aposentadoria compulsória deixou de encontrar respaldo na Constituição após a promulgação da Reforma da Previdência de 2019.

Na decisão, Dino afirmou que a manutenção da aposentadoria compulsória como penalidade acabava por beneficiar magistrados condenados, uma vez que lhes permitia permanecer recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço mesmo após a aplicação da sanção disciplinar mais severa.

Pelo entendimento mantido pela Primeira Turma, após a aplicação da penalidade máxima pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caberá à Advocacia-Geral da União (AGU) propor ação perante o STF para que a Corte analise a perda definitiva do cargo do magistrado.

Ao recorrer da decisão, a Procuradoria-Geral da República questionou a competência do Supremo para apreciar esse tipo de ação, a legitimidade da AGU para propor o pedido e sustentou que a nova sistemática comprometeria a garantia constitucional da vitaliciedade conferida aos membros da magistratura e do Ministério Público.

No julgamento desta terça-feira, entretanto, os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia rejeitaram os argumentos da PGR e mantiveram integralmente o entendimento anteriormente firmado.

Histórico das punições

Criado em 2005, o Conselho Nacional de Justiça é o órgão responsável pelo controle administrativo e disciplinar do Poder Judiciário, cabendo-lhe apurar e julgar infrações cometidas por juízes e desembargadores.

De acordo com dados do próprio CNJ, ao longo dos últimos 20 anos, 126 magistrados foram punidos com aposentadoria compulsória, sanção prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) como a penalidade disciplinar mais grave.

Até a mudança de entendimento do STF, magistrados condenados continuavam recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, mesmo após a aplicação da penalidade.

(Com informações da Agência Brasil por André Richter)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo