TJSC define prazo de cinco anos para cobrança de auxílio-moradia em programas de residência médica

Data:

Erro médico - Testículo - Profissional médico
Créditos: duiwoy / Depositphotos

A Turma de Uniformização do Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC) fixou em cinco anos o prazo prescricional para que médicos residentes possam cobrar judicialmente o auxílio-moradia previsto na Lei nº 6.932/1981, quando o benefício não for concedido durante o período de residência médica.

Antes da decisão, havia divergência jurisprudencial: alguns tribunais aplicavam o prazo de dez anos, com base no Código Civil, por entenderem que a relação entre o médico e a instituição de ensino teria natureza contratual. O novo entendimento da Turma, no entanto, uniformiza a interpretação e afirma a aplicação do prazo quinquenal.

Fundamentação

No voto vencedor, o relator destacou que o auxílio-moradia está vinculado ao serviço público prestado por instituições de saúde, sejam elas públicas ou privadas, o que atrai a incidência do prazo de cinco anos previsto no artigo 1º-C da Lei nº 9.494/1997.

A decisão também seguiu a Súmula 85 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual a prescrição atinge apenas as parcelas vencidas nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação.

Tese fixada

A Turma definiu a seguinte tese jurídica:

“Independentemente da natureza pública ou privada da instituição de saúde responsável pelo programa de residência médica, as pretensões referentes ao não fornecimento do auxílio-moradia previsto na Lei 6.932/1981 submetem-se ao prazo prescricional quinquenal, contado na forma da Súmula 85 do STJ.”

Na prática, médicos residentes que não receberam o auxílio poderão requerer o pagamento retroativo em dinheiro, mas apenas das parcelas correspondentes aos cinco anos anteriores à propositura da ação.

Processo: 5021538-27.2023.8.24.0090
(Com informações do TJSC)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo