Tribunais ampliam uso de tecnologia e cooperação para encerrar execuções fiscais de baixo valor

Data:

advocacia
Créditos: Nico El Nino | iStock

Investimentos em tecnologia, acordos de cooperação técnica e melhorias nos fluxos de trabalho impulsionaram tribunais de todo o país a alcançarem resultados expressivos na extinção de execuções fiscais de pequeno valor. As iniciativas destacaram as cortes vencedoras da primeira edição do Prêmio de Eficiência Tributária, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), nas categorias Tribunal, Juízo, Sistema de Justiça e Outras Instituições.

O prêmio reconhece ações voltadas à redução da litigiosidade tributária e evidencia os avanços obtidos após a Resolução CNJ nº 471/2022, que instituiu a Política Judiciária Nacional para o tratamento adequado de processos tributários. A norma incentiva o encerramento de execuções fiscais inferiores a R$ 10 mil e sem movimentação útil por pelo menos um ano.

Entre outubro de 2024 e julho de 2025, foram extintas mais de 13 milhões de execuções fiscais no país — uma redução de 20% no congestionamento processual e queda de 37% nos novos ajuizamentos. A exigência do protesto prévio da dívida, prevista na resolução, foi apontada como fator decisivo para esses resultados.

Vencedores

Com mais de 8,4 milhões de execuções extintas, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) foi o grande destaque na categoria Justiça Estadual – Grande Porte. O tribunal conquistou o primeiro lugar com o projeto Execução Fiscal Eficiente, que padroniza procedimentos, racionaliza rotinas e assegura isonomia no tratamento aos contribuintes. A iniciativa também envolveu termos de cooperação e aplicação rigorosa dos critérios do CNJ para extinção de execuções de baixo valor.

No início do projeto, cerca de 62% dos processos da Justiça Estadual paulista eram execuções fiscais; hoje, esse índice caiu para 40%. Na mesma categoria, também foram premiados o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), entre os de médio porte, e o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), entre os de pequeno porte. Na Justiça Federal, o vencedor foi o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

O TJGO atribuiu o desempenho ao trabalho integrado entre magistrados e servidores, aliado ao uso de soluções tecnológicas para reduzir o estoque de processos. Já o TJAL destacou a importância da gestão eficiente e do engajamento das equipes.

Outras categorias

Na categoria Sistema de Justiça, a vencedora foi a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com o desenvolvimento do Regime Diferenciado de Cobrança de Créditos. A partir de análises de dados, a instituição passou a classificar devedores conforme sua capacidade econômica, tornando a cobrança mais estratégica.

Na categoria Juízo, o prêmio ficou com a 6ª Vara Federal do TRF-5, responsável pela Central de Alienação Unificada de Bens. Já na categoria Outras Instituições, o destaque foi o Processo Extrajudicial de Cobrança (PEX), da Procuradoria-Geral do Município de Tangará da Serra (MT).

A premiação segue critérios previstos na Portaria CNJ nº 317/2022, com base nos dados do DataJud, a base nacional do Judiciário. Além de reconhecer os melhores desempenhos, o prêmio busca difundir boas práticas, promover a modernização institucional e estimular a cooperação entre órgãos do sistema de justiça, entidades de controle e universidades.

Contexto

As execuções fiscais — que cobram tributos inscritos em dívida ativa, como IPTU, IPVA, ICMS, ISS e multas — historicamente representam um dos principais gargalos do Judiciário. Grande parte envolve cobranças inferiores a R$ 10 mil, cujo custo processual, segundo estudos da Fipe, supera o valor efetivamente recuperado. O tratamento adequado desses processos aumenta a racionalidade administrativa e permite que o Judiciário concentre esforços em ações com maior potencial de retorno ao erário.

(Com informações do CNJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo