TSE marca julgamento de recurso de Bolsonaro contra inelegibilidade

Data:

TSE marca julgamento de recurso de Bolsonaro contra inelegibilidade | Juristas
Autor: celsopupo
Presidente Jair Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a sexta-feira da próxima semana, 22 de setembro, a análise de um recurso apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro contra a decisão da Corte que o tornou inelegível por um período de oito anos. A informação é do UOL.

O que aconteceu:

Os embargos de declaração, serão examinados no plenário virtual do tribunal a partir de 22 de setembro. Os ministros terão até o final do dia 28 de setembro para emitirem seus votos.

A equipe jurídica do ex-presidente protocolou o recurso em 7 de agosto, seis dias após a publicação do acórdão da sentença que condenou o ex-presidente. O ministro Benedito Gonçalves, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, é o relator do processo contra Bolsonaro.

O que disse a defesa:

A equipe de advogados de Bolsonaro sustentou que o ex-presidente teve sua capacidade de defender-se integralmente prejudicada devido à recusa em aceitar a prova testemunhal. Além disso, questionaram a adição da “minuta do golpe” no processo, que foi descoberta na residência de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça durante o mandato de Bolsonaro.

“Resulta inconteste que a extensão da causa de pedir, levada a cabo com a inclusão do ‘documento’ apócrifo e os consequentes desdobramentos, fere de morte, além de inúmeras garantias processuais”, diz trecho da peça.

A equipe de defesa argumenta que tanto a Casa Civil, o Ministério das Relações Exteriores quanto a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência não participaram na organização da reunião com os embaixadores, evidenciando, assim, que não houve utilização de recursos públicos.

O recurso diz que é “imperioso que sejam corrigidos os vícios apontados, a fim de que o colegiado, debruçando-se sobre as razões da defesa, avalie se os indeferimentos de prova, com o encerramento prematuro da instrução, importaram efetiva caracterização de violação ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal”.

“Cumpre asseverar que, se a configuração do abuso do poder político, por definição, exige que o mandatário se utilize do cargo ocupado para influenciar a legitimidade das eleições, o não envolvimento direto dos órgãos de maior pertinência temática ao evento (Casa Civil, MRE e SAJ) é relevante para o fim de evidenciar a inexistência do ilícito”, diz outro trecho do recurso.

Como foi a condenação de Bolsonaro

O ex-presidente recebeu uma condenação por abuso de poder político e utilização inadequada dos meios de comunicação. O veredicto da Justiça Eleitoral afirmou que a concepção e a realização da reunião com embaixadores, juntamente com a transmissão pela TV Brasil, amplificaram os “efeitos da massiva desinformação a respeito das eleições”.

Conforme decisão do TSE, a estratégia de disseminação de desinformação durante a reunião foi considerada uma parte integral da campanha de Bolsonaro. Em uma sessão que resultou em um placar de 5 votos a favor da inelegibilidade e 2 contrários, os ministros rejeitaram a hipótese de que o ex-presidente desconhecia a falsidade das informações que compartilhou, afirmando que ele as utilizou como “ferramentas de engajamento” na tentativa de reeleição.

O TSE não identificou “condutas ilícitas imputáveis” ligadas ao general Braga Netto. Segundo investigado no processo, o ex-candidato à vice-presidência na chapa de Bolsonaro foi absolvido por unanimidade. Na opinião dos ministros, Braga Netto não teve relação direta com o evento.

“A cadeira ocupada pelo primeiro investigado lhe impunha zelar pelo livre exercício da competência da Justiça Eleitoral, pelos bens jurídicos eleitorais inerentes ao exercício de direitos políticos e, ainda, pela segurança interna. Mas, a toda evidência, agiu frontalmente contra esses deveres” diz o TSE, em acórdão do julgamento.

Com informações do UOL.

Você sabia que o Portal Juristas está no Facebook, Twitter, Instagram, Telegram, WhatsApp, Google News e Linkedin? Siga-nos

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo