
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por decisão unânime, firmou entendimento no sentido de que é legítima a atuação do juiz que consulta perfis públicos em redes sociais de investigados para subsidiar decisão de decretação de prisão preventiva ou imposição de outras medidas cautelares. Para o colegiado, tal conduta não viola o sistema acusatório nem compromete a imparcialidade do magistrado, desde que respeitados os limites legais e constitucionais.
A controvérsia teve origem em uma exceção de suspeição arguida pela defesa de um réu, sob o argumento de que o juiz de primeiro grau teria extrapolado suas funções ao, pessoalmente, acessar as redes sociais do investigado para verificar informações mencionadas na denúncia apresentada pelo Ministério Público. Segundo a defesa, tal conduta configuraria afronta ao sistema acusatório previsto no art. 3º-A do Código de Processo Penal (CPP), na medida em que representaria uma indevida iniciativa probatória por parte do julgador, usurpando funções atribuídas exclusivamente às partes.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) indeferiu a exceção de suspeição, entendimento que foi posteriormente confirmado pelo STJ.
Atuação do Juiz Dentro dos Limites do Sistema Acusatório
Relator do recurso no STJ, o ministro Joel Ilan Paciornik entendeu que não houve qualquer ilegalidade na conduta do magistrado, destacando que a atuação judicial pautou-se pelo exercício legítimo do princípio do livre convencimento motivado, com base em informações disponíveis em fontes abertas e de acesso público.
Segundo o relator, a diligência suplementar realizada diretamente pelo juiz não comprometeu sua imparcialidade e foi compatível com os parâmetros do sistema acusatório. O ministro ressaltou ainda que a consulta a dados publicamente acessíveis representa medida de economia e celeridade processual, especialmente quando se trata de elementos facilmente verificáveis.
Paciornik invocou, por analogia, o parágrafo único do art. 212 do CPP, que faculta ao juiz o esclarecimento de dúvidas residuais ao final da instrução criminal. Além disso, citou precedentes do Supremo Tribunal Federal (ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305), que reconhecem a possibilidade de atuação judicial proativa na produção de prova, desde que visando ao esclarecimento da verdade dos fatos e à efetividade da prestação jurisdicional.
Conclusão
Ao final, o relator destacou que a atuação do magistrado foi diligente e cuidadosa, sem que tenha sido demonstrado qualquer prejuízo à ampla defesa ou ao contraditório. Com base nesses fundamentos, a Quinta Turma negou provimento ao recurso da defesa, reafirmando a validade da conduta judicial no contexto da análise de medidas cautelares.
(Com informações do STJ)
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