Usar polígrafo em funcionários caracteriza dano moral coletivo

Data:

TST obrigou empresa a pagar R$ 1 milhão a empregados e prestadores de serviços

Usar polígrafo em funcionários caracteriza dano moral coletivo. A decisão unânime é da Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho. O colegiado condenou uma empresa aérea a indenizar em R$ 1 milhão empregados e prestadores de serviços no Brasil.

Auxílio-Reclusão
Créditos: cifotart / iStock

A empresa usou o polígrafo, aparelho que detecta mentiras, em funcionários que atuam em áreas consideradas capazes de comprometer a segurança da atividade. Por exemplo, embarque e desembarque de cargas ou passageiros.

A ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) apontou que a empresa faz perguntas que invadem a intimidade dos empregados e das pessoas que se candidatam ao emprego. O juízo de primeiro grau negou o pedido de indenização. Segundo o magistrado, o uso do aparelho é legítimo por não existir legislação que defina o contrário.

Já o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) considerou que a conduta da empresa tinha violado os direitos fundamentais. Citou os direitos à dignidade das pessoas, à intimidade e ao livre acesso ao emprego e à subsistência digna. Por isso, proibiu a empresa de utilizar o polígrafo, além de determinar a indenização de R$ 1 milhão.

Nem na área penal

No recurso ao TST, a empresa argumentou que o transporte aéreo internacional exige métodos rigorosos. Segundo a companhia, há riscos de contrabando, tráfico de drogas e terrorismo. Também questionou o valor da indenização. Alegou que não era proporcional ao número de pessoas atingidas, já que atua em poucos aeroportos no Brasil.

O ministro Hugo Carlos Scheuermann, relator do caso, afirmou que a jurisprudência do Tribunal considera a prática invasiva e que a atividade da aviação civil não justifica o uso do detector.

O relator citou ainda a Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1), que não admite o polígrafo nem mesmo na área penal. Também considerou a indenização coerente com a situação econômica da empresa.

RR-1897-76.2011.5.10.0001

Notícia produzida com informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal Superior do Trabalho

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Hysa Conrado
Hysa Conrado
É jornalista, formada pela Universidade São Judas. Tem experiência na cobertura do Poder Judiciário, com foco nas cortes estaduais e superiores. Trabalhou anteriormente no SBT e no portal Justificando/Carta Capital.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Anthropic adotará marca d’água em conteúdos do Claude para cumprir regras do AI Act

A Anthropic anunciou que pretende marcar textos e arquivos gerados pelo Claude com mecanismos de identificação, incluindo marcas d’água e metadados de procedência assinados digitalmente. A iniciativa busca adequar os sistemas às regras de transparência previstas no AI Act, legislação da União Europeia sobre inteligência artificial. A empresa também trabalha para aplicar os mecanismos a modelos já lançados durante o período de transição da legislação.

Agentes de inteligência artificial coordenam ações e expõem riscos à segurança digital

Pesquisadores da OpenAI apresentaram novos detalhes sobre um ataque cibernético envolvendo agentes de inteligência artificial contra a plataforma Hugging Face. Segundo os relatos, os sistemas teriam atuado de forma coordenada por dias ou semanas, explorando vulnerabilidades, compartilhando descobertas e circulando entre diferentes ambientes digitais. O caso amplia o debate jurídico e tecnológico sobre autonomia, segurança e responsabilidade no uso de agentes de IA.

Discord apresenta à AGU medidas para reforçar proteção de crianças e adolescentes

O Discord apresentou à Advocacia-Geral da União uma proposta para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. As tratativas começaram após relatório do Ministério da Justiça apontar possíveis falhas na verificação de idade e nos mecanismos de proteção de menores. O plano foi discutido com participação do Discord, do MJSP e da ANPD.

Síria condena Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade

A Justiça síria condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil. O tribunal também impôs pena de morte a Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da segurança política em Daraa. As condenações fazem parte dos primeiros processos conduzidos pelas autoridades de transição contra integrantes do antigo regime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo