Sérgio Moro teria orientado investigações da Lava Jato via mensagens no Telegram

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O site The Intercept Brasil revelou mensagens entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

O site “The Intercept Brasil” publicou uma série de reportagens onde que o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, teria orientado as investigações da operação Lava Jato em Curitiba por meio de mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram com o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.

sérgio moro
Créditos: spacedrone808 | iStock

De acordo com o site – que foi criado pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald que ficou conhecido mundialmente após ajudar o ex-analista de sistemas Edward Snowden a revelar informações secretas obtidas pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos – uma fonte anônima enviou um grande volume de mensagens trocadas no aplicativo entre membros da Lava Jato e entre o procurador Dallagnol e Moro.

Nas conversas que aconteceram por dois anos, Moro sugeriu que o procurador trocasse a ordem de fases da Lava Jato, para não ficar “muito tempo sem operação”, deu conselhos e pistas informais de investigação e antecipou uma decisão que ele ainda não havia tornado pública.

As mensagens também mostram que Moro criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público.

O Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PA) divulgou uma nota confirmando um vazamento de mensagens de procuradores após um ataque hacker, mas que as mensagens não apresentam nenhuma ilegalidade.

Moro se pronunciou por meio de nota afirmando que as mensagens não revelam “qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. O ministro também criticou o site por não tê-lo procurado antes da publicação da reportagem e disse que as conversas foram retiradas de contexto.

A força-tarefa da Lava Jato falou, por nota, em “ataque criminoso” aos membros do MPF-PR e lembrou o ataque feito por hackers ao celular do ministro já Justiça na semana passada.

De acordo com o documento, os procuradores “mantiveram, ao longo dos últimos cinco anos, discussões em grupos de mensagens, sobre diversos temas, alguns complexos, em paralelo a reuniões pessoais que lhes dão contexto”.

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Esses procuradores seriam amigos próximos e, “nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras”. “Muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas”, diz a nota.

A nota finaliza afirmando que “lamenta profundamente pelo desconforto daqueles que eventualmente tenham se sentido atingidos”, mas reitera que nenhum pedido de esclarecimento ocorreu antes das publicações, “o que surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas”.

“De todo modo, eventuais críticas feitas pela opinião pública sobre as mensagens trocadas por seus integrantes serão recebidas como uma oportunidade para a reflexão e o aperfeiçoamento dos trabalhos da força-tarefa”, completou a nota.

O The Intercept afirmou que o site não entrou em contato com procuradores e outros envolvidos nas reportagens “para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si”. “Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias”, disse o The Intercept.

O site também afirma que recebeu o material há algumas semanas, bem antes da notícia sobre a invasão do celular de Moro.

Notícia publicada com informações do Notícias Uol.

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