Lula questiona papel do Brasil como signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI)

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Lula questiona papel do Brasil como signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI) | Juristas
Nova Delhi, Índia, 09.09.2023 – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participa da abertura da Cúpula do G20 – em Nova Delhi, Índia. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após a reunião da cúpula do G20, realizada em Nova Délhi, capital da Índia, no último fim de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista ao canal de TV local Firstpost, afirmou que o presidente russo Vladimir Putin não seria preso se visitasse o Brasil, desafiando uma determinação do Tribunal Penal Internacional (TPI), do qual o Brasil é signatário.

A declaração de Lula repercutiu e provocou discussões, o que o levou a abordar o assunto novamente na segunda-feira (11), enfatizando que a decisão sobre a prisão de Putin no Brasil ficaria a cargo da Justiça brasileira.

“Se Putin decidir visitar o Brasil, a Justiça decidirá se deve prendê-lo ou não”, afirmou Lula durante uma entrevista coletiva em Nova Delhi, após o término da cúpula. No entanto, ele também questionou por que o Brasil é signatário do tratado, enquanto outros países importantes, como os Estados Unidos, não aderiram.

Lula declarou: “Mas eu quero saber por que o Brasil é signatário de um tratado que os Estados Unidos não respeitam”. Quando questionado sobre a possibilidade de excluir o Brasil do TPI, ele respondeu que estudaria a questão com mais detalhes.

A discussão gira em torno de um mandato de prisão emitido pelo TPI contra Vladimir Putin por crimes de guerra, relacionados ao suposto envolvimento russo em sequestros e deportações de crianças em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia durante o conflito. Como signatário do Estatuto de Roma, o Brasil teria a obrigação legal de prender Putin se ele estivesse em território brasileiro.

Essa questão foi o motivo pelo qual o presidente russo não participou pessoalmente da cúpula do Brics na África do Sul em julho, já que o Brasil e o país africano também são signatários do Estatuto de Roma, o que os obrigaria a prender Putin em suas jurisdições.

Mais de 120 países, incluindo Canadá, França, Itália, Japão, Nova Zelândia, Suíça, Alemanha e Reino Unido, são signatários do TPI. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou o decreto nº 4.388 em 2002, aderindo ao Tribunal e comprometendo o Brasil a seguir todas as cláusulas do Estatuto de Roma.

Segundo o Estatuto, um país signatário que se recusar a cooperar com o TPI pode ser levado a uma assembleia interna com outros membros ou até mesmo ao Conselho de Segurança da ONU, onde podem ser definidas penalidades.

Com informações da Folha de São Paulo e Agência Brasil.


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Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

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