Anulada no Brasil delação da Odebrecht continua repercutindo em outros países

Data:

recuperação judicial
Créditos: Joa_Souza | iStock

Se no Brasil o acordo de colaboração da empreiteira Odebrecht está com seu uso na justiça praticamente barrado, a delação da agora rebatizada de Novonor, continua repercutindo em outros países, provocando disputas judiciais e consequências inesperadas. A informação é da Folha de São Paulo.

Conforme a reportagem, o Peru foi um dos países mais impactados pela anulação da delação. Um episódio traumático ocorreu em 2019, quando o ex-presidente Alan García cometeu suicídio durante uma tentativa de prisão relacionada às investigações sobre a Odebrecht. Os casos envolvendo a empresa ainda estão em andamento no Judiciário peruano, com recentes revelações de que a Odebrecht contribuiu financeiramente para campanhas eleitorais de presidentes eleitos nas últimas décadas.

Além do Peru, ao menos sete países na América Latina e os Estados Unidos estão lidando com desdobramentos legais relacionados à Odebrecht. No Equador, o entendimento do Supremo brasileiro afetou ações judiciais em andamento, causando atritos com o Ministério Público equatoriano. No Panamá, dois ex-presidentes foram acusados de lavagem de dinheiro, na República Dominicana, um ex-ministro foi condenado por corrupção, e no México, o ex-chefe da estatal de petróleo também está envolvido nas investigações.

O impacto das investigações da Odebrecht ultrapassou fronteiras, com a Justiça do Reino Unido autorizando a extradição de um ex-banqueiro austríaco para os Estados Unidos, acusado de lavar dinheiro para a empreiteira. Os Estados Unidos possuem legislação rigorosa para punir empresas envolvidas em corrupção no exterior, conhecida como FCPA.

No Brasil, o presidente Lula e aliados alegam que houve uma articulação internacional para prejudicar as empresas brasileiras por meio das investigações da Lava Jato.

O presidente repetiu a tese inclusive após assumir o cargo, em entrevista em março, quando afirmou que os investigadores da Lava Jato estavam em uma mancomunação com o Departamento de Justiça americano.

“Foi uma coisa que envolveu toda a América Latina. E era uma coisa que era para destruir mesmo. Porque as empresas brasileiras estavam ocupando espaço no mundo inteiro.”

As mensagens hackeadas em 2019, que mostraram colaboração entre os procuradores do Paraná e o ex-juiz Sergio Moro (hoje senador pela União Brasil-PR), também são mencionadas com frequência por petistas para expor a teoria da influência irregular de autoridades estrangeiras na Lava Jato.

Procurada pela reportagem da Folha, a Novonor, ex-Odebrecht, respondeu às alegações afirmando que está cumprindo seus compromissos com a Justiça e os termos dos acordos firmados com diversos países, atendendo às exigências das autoridades designadas.

O empreiteiro Emílio Odebrecht, que também firmou acordo de colaboração, lançou em maio um livro chamado “Uma Guerra contra o Brasil” no qual afirma que “a Lava Jato quebrou a economia brasileira” e que tal situação contou com a orientação de autoridades dos Estados Unidos, com a finalidade de prejudicar quem oferecia concorrência a companhias americanas à época.

Com informações da Folha de São Paulo.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Sócio minoritário da Pixbet é preso na Paraíba durante operação da Polícia Federal

O empresário Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio minoritário da Pixbet, foi preso na Paraíba durante a segunda fase da Operação Arena, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes contra as ordens tributária e financeira, envolvendo movimentações internacionais, empresas no exterior e utilização de criptoativos.

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo