Justiça condena parlamentar por vídeo discriminatório contra professora de cultura afro-brasileira

Data:

A

relatora
Créditos: Vladimir Cetinski | iStock

19ª Vara Cível de Brasília condenou o deputado distrital Daniel de Castro Sousa por divulgar, em sua rede social pessoal, um vídeo com conteúdo discriminatório contra uma professora do Centro Educacional do Lago, no Distrito Federal. A publicação, feita em outubro de 2024, acusava a docente de realizar rituais religiosos de matriz africana em sala de aula.

A decisão foi proferida no âmbito de uma Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), e reconheceu que o conteúdo veiculado violou direitos coletivos difusos, como a igualdade, a liberdade religiosa e o direito à educação plural.

Medidas determinadas pela Justiça:

  • Remoção do vídeo em até 48 horas, sob pena de multa diária;
  • Retratação pública a ser publicada na conta do parlamentar no Instagram, com o mesmo destaque e tempo de exibição do vídeo original;
  • Pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 30 mil, a ser revertida ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

Na sentença, o juiz destacou que não se aplica a imunidade parlamentar ao caso, já que a manifestação ocorreu fora do exercício da atividade legislativa, em ambiente virtual de natureza pessoal, com objetivo de gerar engajamento digital por meio de discurso que incentivava preconceito e desinformação.

Violação das diretrizes educacionais

Na ação, o MPDFT argumentou que o vídeo distorceu o conteúdo de atividades pedagógicas previstas em lei, mais especificamente nas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.

A promotoria apontou que o conteúdo da publicação contribuiu para reforçar estigmas sociais e religiosos, promovendo interpretações equivocadas sobre o trabalho da professora e violando o direito de estudantes ao acesso a uma educação diversa e inclusiva.

A publicação chegou a ultrapassar 21 mil visualizações nas redes sociais do deputado.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo