Especialistas alertam para impactos da IA no trabalho em audiência sobre novo Estatuto

Data:

havard
Créditos: Peshkova | iStock

Especialistas e representantes do governo federal destacaram que os direitos atuais dos trabalhadores podem ser insuficientes para proteger contra discriminações e perda de direitos diante do uso crescente da Inteligência Artificial (IA). O tema foi debatido em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta segunda-feira (13), como parte do ciclo de discussões sobre o novo Estatuto do Trabalho.

O senador Paulo Paim (PT-RS), que presidiu a reunião, defende a criação de um novo Estatuto, analisado na forma da SUG 12/2018, elaborada por associações de juristas. Ele alertou que a IA pode substituir trabalhadores, aumentar o desemprego e gerar problemas sociais como desigualdade, depressão e uso de drogas.

“Precisamos de um novo contrato social que redefina as expectativas humanas fundamentais em torno do emprego. O avanço tecnológico deve servir ao ser humano, e não o contrário”, afirmou Paim.

Segundo Jefferson de Morais Toledo, do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), cerca de 40% dos empregos no mundo serão afetados pela IA, conforme dados do FMI.

Uso da IA na saúde e no monitoramento de trabalhadores

O defensor público federal José Carvalho alertou para possíveis usos da IA em decisões de contratação ou demissão, por meio da análise de vídeos, áudios e padrões de marcha, capazes de prever doenças futuras.

“Será que esses dados serão usados para prevenir problemas de saúde ou para demitir preventivamente o trabalhador?” questionou Carvalho.

Ele também destacou que grandes empresas testam robôs humanoides com IA para substituir trabalho braçal, com baixo custo e sem necessidade de adaptação das fábricas.

Regulamentação e proteção legal

O pesquisador da USP, Thiago Gomes Marcílio, defendeu o PL 2.338/2023, que regulamenta o uso da IA, já aprovado no Senado em dezembro de 2024. O projeto prevê regras rígidas para decisões sobre empregados, incluindo recrutamento e promoções, e protege contra a precarização de direitos.

Marcílio alertou que a concorrência com a IA pode reduzir salários e direitos, e que trabalhadores sujeitos ao desemprego podem ser contratados em condições precárias, afetando especialmente a Previdência Social.

Pejotização e novas formas de trabalho

Representante do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, destacou que no setor de comunicação, 56% dos profissionais não são celetistas, sem férias nem 13º salário, e que a prática tende a se expandir com o avanço da IA.

Por outro lado, Hugo Valadares Siqueira, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, afirmou que a IA pode reduzir a jornada de trabalho e permitir que as pessoas tenham mais tempo para a vida pessoal. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028 prevê foco na qualificação profissional, com vagas em cursos específicos de IA superando as metas iniciais.

Novas carreiras e acesso a serviços

O consultor legislativo do Senado, Pedro Nery Ferreira, afirmou que a IA pode gerar novas profissões e ampliar o acesso a serviços antes restritos a especialistas, como médicos e advogados, reduzindo custos para os usuários.

“Podemos ter profissionais que utilizem IA para oferecer diagnósticos similares aos de médicos, com custo menor, respeitando procedimentos complexos reservados a especialistas”, exemplificou Ferreira.

Contexto legislativo

A SUG 12/2018, apelidada por Paim de “novo Estatuto do Trabalho”, foi apresentada pela CDHET em 2017 como alternativa à reforma trabalhista da Lei 13.467/2017. O projeto foi arquivado em 2022, mas desarquivado em 2023, e continua tramitando na CDH.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo