Agência de turismo deve devolver integralmente valores após cancelamento de viagem

Data:

TJ-SP diz que violação do dever de informação gera responsabilidade à agência de turismo
Créditos: vipman / Shutterstock.com

A 29ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 4ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé que determinou a restituição integral dos valores pagos por uma consumidora em razão do cancelamento de uma viagem. A sentença foi proferida pelo juiz Guilherme Augusto de Oliveira Barna.

No caso, a agência de turismo reteve 10% do montante pago, a título de taxa de serviço, mesmo sem haver contrato formal assinado entre as partes. Conforme consta nos autos, a autora adquiriu um pacote turístico para Israel e quitou as quatro primeiras parcelas. Posteriormente, a própria agência informou o cancelamento da viagem em razão do agravamento dos conflitos na região, oferecendo o reagendamento para uma data incompatível com a disponibilidade da consumidora.

Diante disso, a cliente solicitou o cancelamento do pacote e o reembolso dos valores já pagos, sendo então informada de que haveria a retenção da taxa de serviço. A consumidora recorreu à Justiça para obter a devolução integral.

Ao analisar o recurso, a relatora, desembargadora Silvia Rocha, ressaltou que, embora a autora tenha recebido uma cópia do contrato por e-mail, não houve comprovação de sua ciência inequívoca quanto às condições do negócio, especialmente em relação à cláusula de “taxa não reembolsável”. A magistrada destacou ainda que não é possível afirmar que a consumidora, pessoa idosa, teve pleno conhecimento e compreensão de cláusula limitativa inserida no corpo do contrato.

Segundo a relatora, o simples pagamento das parcelas iniciais não implica aceitação automática de todos os termos contratuais. “Cláusula limitativa de direito não pode ser considerada tacitamente aceita, sendo indispensável a concordância expressa do consumidor, o que não ocorreu no caso”, afirmou.

A decisão foi unânime.

O processo tramita sob o nº 1003350-81.2025.8.26.0008.

(Com informações do TJ-SP)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo