STF analisa se Ministério Público pode ser condenado a custas e despesas em ações perdidas

Data:

esquema de corrupção
Créditos: Kritchanut | iStock

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira (5) o julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo 1524619, que discute se o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pode ser condenado ao pagamento de custas processuais, honorários advocatícios e despesas periciais em ações em que busca ressarcimento ao patrimônio público e é derrotado. A questão possui repercussão geral e está vinculada ao Tema 1.382. A análise será retomada na próxima quarta-feira (11).

Divergência entre ministros

O primeiro a votar, o ministro Alexandre de Moraes (relator), afirmou que a condenação do MP a essas despesas seria inconstitucional, por ferir a autonomia do órgão e comprometer sua atuação fiscalizadora. Segundo ele, exigir o pagamento de custas e honorários poderia engessar o Ministério Público, especialmente em casos de grande complexidade, como o da barragem de Mariana, e inviabilizar ações voltadas à proteção de direitos fundamentais.

Em sua visão, despesas relacionadas à prova pericial, quando necessárias, devem ser custeadas pelo ente federativo ao qual o MP está vinculado (estado ou União).

O ministro Cristiano Zanin divergiu parcialmente. Ele entende que não é possível condenar o MP ao pagamento de custas processuais ou honorários advocatícios, mas que o órgão pode ser responsável pelo pagamento de perícias, desde que exista previsão orçamentária específica para esse fim, conforme o Código de Processo Civil.

Contexto do caso

O ARE 1524619 se refere a uma ação movida pelo MP-SP contra o ex-presidente da Câmara Municipal de Jandira (SP), Cícero Amadeu Romero Duca, para ressarcimento de R$ 29,4 mil aos cofres públicos devido a transações irregulares. Apesar de condenado inicialmente, o político conseguiu reverter a penhora de imóveis, e o MP-SP foi responsabilizado pelo pagamento das custas do processo e honorários de sucumbência.

O MP-SP defende que, assim como não recebe esses encargos quando vence uma ação, também não poderia pagá-los em caso de derrota, argumentando com base em simetria, lógica processual e razoabilidade.

O julgamento continua na próxima sessão do STF, e a decisão final terá impacto direto sobre a atuação financeira e processual do Ministério Público em ações de ressarcimento ao erário.

(Com informações do STF por Pedro Rocha)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Alibaba lança Qwen3.8-Max e diz que só perde para o Claude Fable 5, da Anthropic

A Alibaba apresentou no domingo, 19, a versão prévia do Qwen3.8-Max, descrito como o modelo mais capaz de sua família de inteligência artificial. Segundo a empresa chinesa, o sistema perde apenas para o Claude Fable 5, da Anthropic, entre os modelos de fronteira do mundo. O anúncio foi feito em publicação da equipe Qwen na rede social X, durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai.

Dez livros de Direito Empresarial que se destacam entre os mais vendidos na Amazon

O Direito Empresarial permanece como uma das áreas mais dinâmicas do mercado editorial jurídico brasileiro. A constante transformação das relações comerciais, o surgimento de novos modelos de negócios e as mudanças legislativas aumentam a procura por obras atualizadas sobre sociedades, contratos empresariais, títulos de crédito, propriedade industrial, recuperação judicial e falência.

Dez obras doutrinárias de Direito Penal em destaque na Amazon

O Direito Penal ocupa posição de destaque no mercado editorial jurídico brasileiro. Na Amazon Brasil, cursos divididos em volumes, manuais completos, tratados e códigos comentados despertam o interesse de estudantes, professores, advogados, magistrados, membros do Ministério Público, defensores públicos e candidatos a concursos.

Juristas promove lançamento da obra “Inteligência Artificial na Advocacia” na sede da OAB/DF em homenagem à Beto Simonetti

A Juristas, em parceria com a Editora Mizuno, realizará, no próximo 17 de agosto, às 18h, na Sede da OAB/DF, em Brasília, o lançamento oficial da obra Inteligência Artificial na Advocacia – Inovação, Ética e Futuro Profissional, um livro coletivo que reúne especialistas para discutir os impactos da inteligência artificial na transformação da advocacia brasileira.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo