Justiça paulista proíbe empresa de comercializar princípio ativo do Ozempic por violação de patente

Data:

Justiça paulista proíbe empresa de comercializar princípio ativo do Ozempic por violação de patente | Juristas

A Justiça de São Paulo condenou a empresa Attivos Magistrais por violar a patente do medicamento Ozempic ao importar, de forma não autorizada, pelo menos 900 gramas do princípio ativo semaglutida, quantidade suficiente para a produção de centenas de milhares de canetas destinadas à manipulação para emagrecimento.

Além da proibição de importação e comercialização da substância, a decisão judicial impôs à ré o pagamento de R$ 100 mil a título de danos morais ao laboratório Novo Nordisk, titular da patente, bem como indenização pelos prejuízos econômicos, cujos valores serão apurados em perícia contábil.

Na ação ajuizada em novembro do ano passado, o laboratório alegou que a sua patente, registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), confere proteção tanto ao princípio ativo quanto a qualquer medicamento que o contenha, incluindo Ozempic, Wegovy e Rybelsus, assegurando-lhe direito exclusivo de exploração até 20 de março deste ano. Segundo a petição inicial, a importação da semaglutida pela Attivos ocorreu em diversas ocasiões, configurando concorrência desleal e violação de propriedade industrial.

Em sua contestação, a Attivos Magistrais alegou a inexistência de exploração econômica da substância pelo laboratório e sustentou que a importação seria legal diante da proximidade do término da vigência da patente. A empresa manteve que suas ações foram totalmente lícitas, ressaltando que ainda possui direito de recorrer da decisão.

O juiz Guilherme Nascente Nunes, ao proferir a sentença, rejeitou os argumentos da defesa. Segundo o magistrado, não há respaldo legal ou regulatório para a importação de semaglutida para manipulação, configurando-se, portanto, violação do direito de exclusividade conferido ao titular da patente e prática de concorrência desleal, nos termos do art. 129 da Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996). A decisão determina ainda que a substância não poderá ser mantida em estoque, sob pena de multa de R$ 200 mil.

O caso evidencia a aplicação do Direito da Propriedade Industrial, com interface com o Direito Civil (ressarcimento por danos materiais e morais) e o Direito Empresarial (concorrência desleal), reforçando a proteção legal aos laboratórios que investem em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos.

Reportagem da BBC News indica que, mesmo com o término da vigência da patente da semaglutida em 20 de março, a expectativa de comercialização de genéricos no Brasil deve ser retardada por dificuldades regulatórias e industriais, com a EMS, maior farmacêutica nacional, prevendo início de vendas apenas no segundo semestre, após aprovação da Anvisa.

(Com informações do UOL por Rogério Gentile)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo