Nunes Marques alerta para riscos da IA nas eleições de 2026 em primeiro evento como presidente do TSE

Data:

Responsável pela obtenção de dados do Facebook repassados à Cambridge Analytica diz que eles não poderiam influenciar eleições

No primeiro evento público desde que assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Nunes Marques afirmou que conduzir a Corte durante as eleições gerais de 2026 será um dos maiores desafios da Justiça Eleitoral diante do avanço das novas tecnologias e da inteligência artificial.

As declarações foram feitas durante a abertura do seminário “Seta Debate — Inteligência Artificial nas Eleições 2026”, realizado em Brasília e promovido pela empresa FSB Holding.

Segundo o ministro, o ambiente digital transformou profundamente o processo de formação da vontade popular e passou a exigir respostas institucionais cada vez mais complexas. Para ele, os eleitores deixaram de ser vistos apenas como cidadãos e passaram a ser tratados também como conjuntos de dados, preferências e padrões comportamentais utilizados para segmentação de conteúdos.

Nunes Marques destacou que a Justiça Eleitoral vem se preparando para enfrentar desafios relacionados à disseminação de desinformação, deepfakes e ataques ao sistema eleitoral. O magistrado afirmou que o TSE trabalha continuamente para garantir eleições seguras, harmônicas e com maior responsabilidade nas redes sociais.

O presidente do tribunal também defendeu maior aproximação entre a Justiça Eleitoral, especialistas em tecnologia, universidades e sociedade civil para o aperfeiçoamento do processo eleitoral brasileiro diante das transformações digitais.

Durante o evento, o ministro alertou para o uso indevido da inteligência artificial em campanhas eleitorais, especialmente em práticas como clonagem de voz, troca de rostos e manipulação de vídeos. Segundo ele, conteúdos falsos produzidos com IA podem alcançar milhões de eleitores em poucas horas, antes mesmo de eventual decisão judicial.

Nunes Marques afirmou que o uso da inteligência artificial para enganar deliberadamente eleitores ou atacar o sistema eleitoral não será tolerado pela Justiça Eleitoral. Para ele, o avanço tecnológico exige respostas compatíveis com os princípios do Estado Democrático de Direito.

Como relator das resoluções do TSE para as eleições de 2026, o ministro detalhou algumas das novas medidas aprovadas pela Corte. Entre elas está a possibilidade de enquadrar o uso irregular de conteúdos sintéticos produzidos por inteligência artificial como abuso de poder político, econômico ou uso indevido dos meios de comunicação.

As plataformas digitais também deverão adotar mecanismos de conformidade voltados à rastreabilidade de conteúdos e mitigação de riscos relacionados à desinformação.

O tribunal ainda manterá o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), ferramenta que permite o envio de denúncias sobre conteúdos considerados falsos ou enganosos para análise técnica e eventual acionamento das plataformas digitais.

Apesar do avanço tecnológico, o presidente do TSE ressaltou que o uso institucional da inteligência artificial deverá respeitar limites éticos rigorosos, incluindo supervisão humana, proteção de dados e transparência.

Segundo ele, a tecnologia pode auxiliar atividades administrativas e operacionais, mas não substituir a análise humana nem o compromisso constitucional com os direitos fundamentais.

Entre as novas diretrizes previstas para a propaganda eleitoral de 2026 estão a obrigatoriedade de identificação de conteúdos produzidos por IA, a criação de canais específicos de denúncia junto às plataformas digitais, a possibilidade de inversão do ônus da prova em casos de alta complexidade técnica e a ampliação de parcerias com universidades e especialistas para perícias digitais.

Especialistas que participaram do evento também destacaram os impactos da inteligência artificial sobre o ambiente eleitoral. A pesquisadora Nina da Hora afirmou que a clonagem de vídeos longos deve ser um dos principais desafios das eleições de 2026.

Já Silvio Meira avaliou que a inteligência artificial pode ser utilizada tanto para proteção quanto para ataques à democracia, dependendo da forma como for aplicada e regulada.

Confira a íntegra do discurso do presidente do TSE.

(Com informações do TSE)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

New Balance processa Decathlon nos EUA por suposta violação de marca em logotipo da Kiprun

A New Balance processou a Decathlon nos Estados Unidos, alegando que o logotipo utilizado pela marca esportiva Kiprun apresenta semelhança com seu tradicional símbolo em formato de “N”. A fabricante pede a retirada dos produtos do mercado, a destruição dos itens com o símbolo e indenização. A Decathlon contesta a acusação e afirma que o desenho representa a letra “K”. O processo tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts.

IA amplia preocupação com empregos e já afeta a entrada de jovens no mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que a inteligência artificial já produz efeitos perceptíveis sobre o mercado de trabalho, especialmente nas oportunidades destinadas a profissionais jovens em ocupações mais expostas à automação. Estudos também apontam crescimento do uso de IA generativa nas empresas, inclusive sem conhecimento dos empregadores, levantando questões relacionadas à governança, segurança da informação, proteção de dados e relações trabalhistas. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que os dados disponíveis ainda não comprovam uma substituição generalizada de trabalhadores pela tecnologia.

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

Candidata recorre à Justiça após desclassificação de concurso por uso de medicamento hormonal

Candidata ao concurso da Polícia Penal de Minas Gerais foi considerada inapta na avaliação médica após apresentar documentação indicando histórico de câncer de mama e uso contínuo de tamoxifeno. Ela afirma que exames recentes não apontam atividade da doença e questiona judicialmente a desclassificação, invocando o entendimento do STF no Tema 1.015. Os pedidos de liminar e o recurso apresentado pela candidata foram negados, enquanto o processo principal continua em tramitação.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo