Justiça condena big techs e empresas de games por falhas na proteção de crianças

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Tecnologia e jogos eletrônicos
games / gamer / cyber atleta / jogador profissional de esportes eletrônicos

A Justiça do Distrito Federal condenou grandes empresas de tecnologia e desenvolvedoras de jogos eletrônicos por falhas na proteção de crianças e adolescentes diante da utilização de loot boxes — mecanismos de recompensa aleatória presentes em diversos jogos digitais. As condenações, somadas, alcançam R$ 298 milhões e representam uma das mais expressivas decisões já proferidas no país sobre proteção infantojuvenil no ambiente digital.

A sentença foi proferida pela 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal no âmbito de uma ação civil pública ajuizada pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced). Ainda cabe recurso da decisão.

A entidade sustentou que as plataformas digitais e empresas responsáveis pelos jogos não adotaram medidas suficientes para proteger crianças e adolescentes dos riscos associados às loot boxes, sistema que permite a aquisição de itens virtuais mediante pagamento, sem que o consumidor saiba previamente qual recompensa será recebida.

Segundo a ação, a mecânica se assemelha a jogos de azar ao combinar expectativa de ganho, aleatoriedade e incentivo à realização de gastos repetidos, especialmente por usuários mais vulneráveis.

Na decisão, a Justiça reconheceu que as empresas possuem responsabilidade na criação e manutenção de ambientes digitais seguros para o público infantojuvenil. O entendimento considerou que a ausência de mecanismos eficazes de proteção pode expor crianças e adolescentes a práticas potencialmente prejudiciais ao seu desenvolvimento.

O caso reacende o debate sobre a regulamentação das loot boxes no Brasil e em outros países. Especialistas apontam que esse modelo de monetização tem sido alvo de questionamentos por órgãos de defesa do consumidor, entidades de proteção à infância e autoridades regulatórias em diversas jurisdições.

A decisão também reforça a crescente preocupação do Poder Judiciário com os impactos das novas tecnologias sobre os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, especialmente em ambientes digitais amplamente acessados por esse público.

As empresas condenadas ainda poderão recorrer às instâncias superiores para contestar a sentença.

(Com informações do Tilt UOL por Guilherme Tagiaroli)

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