Receita Federal e MPs investigam grupo por exploração ilegal de apostas e suspeitas de lavagem de dinheiro

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Receita Federal e MPs investigam grupo por exploração ilegal de apostas e suspeitas de lavagem de dinheiro | Juristas
Bets / Apostas esportivas – Joédson Alves/ Agência Brasil
(Política)

Uma operação conjunta da Receita Federal e dos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco cumpriu, na manhã desta quarta-feira, 14 mandados de busca e apreensão contra um grupo investigado por supostas fraudes envolvendo apostas esportivas ilegais. A ação tem como objetivo localizar e bloquear bens avaliados em aproximadamente R$ 145 milhões para garantir eventual ressarcimento dos prejuízos apurados durante as investigações.

Batizada de Operação Conto da Sorte, a ofensiva ocorre nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo e tem como alvo empresas que atuavam no mercado de apostas de quota fixa sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda.

Segundo as autoridades, as investigações apontam a existência de uma estrutura composta por dezenas de empresas que operavam irregularmente no setor. De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 50 bilhões por meio de 37 empresas ligadas ao esquema.

As apurações tiveram início após a identificação de supostas irregularidades no credenciamento de empresas pela autarquia Lotseridó, vinculada ao município de Bodó, no Rio Grande do Norte. Embora as atividades do grupo tenham sido suspensas em outubro de 2025, os investigadores afirmam que as operações de apostas continuaram funcionando de forma clandestina mesmo após a regulamentação do setor.

De acordo com a Receita Federal, os investigados teriam utilizado dezenas de empresas de fachada registradas em nome de terceiros para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações financeiras. Entre os chamados “laranjas” estariam familiares dos envolvidos e até beneficiários de programas sociais.

As investigações também apontam indícios de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro por meio da aquisição de imóveis e descumprimento de normas regulatórias aplicáveis ao mercado de apostas. Segundo o Fisco, o grupo não teria recolhido corretamente tributos e contribuições incidentes sobre a receita obtida com as apostas.

A Receita Federal destacou que a utilização de empresas fictícias e estruturas societárias fraudulentas representa um dos principais desafios para a fiscalização do setor, reforçando a importância da atuação integrada entre órgãos de controle e investigação.

Durante entrevista, Dario Durigan afirmou que novas operações deverão ser realizadas nos próximos meses como parte da estratégia do governo federal de intensificar o combate às apostas ilegais. Segundo ele, a política adotada é de “tolerância zero” contra operadores clandestinos e práticas que descumpram a legislação vigente.

O secretário também ressaltou que as ações incluem medidas administrativas e judiciais, como bloqueio de bens e aprofundamento das investigações patrimoniais, além da cooperação entre Receita Federal, Ministério Público e Secretaria de Prêmios e Apostas.

(Com informações do UOL)

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