
Uma jornalista perdeu R$ 10 mil após ser vítima de um golpe que simulava a antecipação de uma audiência judicial. A fraude ocorreu em 30 de março, dois dias antes da data prevista para o julgamento de uma ação de indenização movida contra uma companhia aérea.
O processo envolvia problemas enfrentados pela profissional durante uma viagem internacional, incluindo o desvio de bagagens e o atraso superior a dez horas em um voo.
A fraude começou quando a vítima recebeu uma mensagem por aplicativo de conversas de uma pessoa que se apresentou como sua advogada e informou que a audiência havia sido antecipada. Em seguida, um criminoso que se identificou como magistrado entrou em contato por áudio e solicitou informações bancárias sob o argumento de que seriam necessárias para evitar a cobrança de impostos sobre o valor da indenização.
Durante a abordagem, os criminosos também encaminharam um link à jornalista, que pode ter possibilitado o acesso a informações armazenadas em seu celular.
A falsa advogada acompanhava o caso e utilizava informações verdadeiras, incluindo o número do processo, para conferir credibilidade à abordagem. Segundo a vítima, o homem que se passou por juiz utilizava linguagem formal e postura de autoridade, o que contribuiu para que ela acreditasse na situação.
A suspeita surgiu quando o falso magistrado começou a fazer perguntas sobre aplicações financeiras. A jornalista interrompeu a conversa, mas os criminosos já haviam conseguido realizar uma transferência de R$ 10 mil.
O caso foi registrado na 15ª Delegacia de Polícia (Gávea). Até o momento, o valor não havia sido recuperado. A Polícia Civil informou que mantém ações permanentes de repressão às diferentes modalidades de estelionato.
A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Ana Tereza Basílio, afirmou que a entidade já recebeu mais de três mil denúncias relacionadas a golpes praticados por pessoas que se passam por advogados. Segundo ela, a simulação de audiências judiciais constitui uma nova estratégia utilizada para conferir aparência de legitimidade às fraudes.
Alerta do Tribunal de Justiça
Diante da disseminação desse tipo de golpe, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) reforçou que magistrados e servidores não solicitam transferências de dinheiro por Pix ou depósitos em contas bancárias.
O tribunal também esclareceu que não solicita senhas, tokens, códigos de segurança ou credenciais para acesso a dados pessoais por meio de contatos informais.
A orientação é que qualquer pedido de pagamento ou de informações bancárias relacionado a um processo seja tratado como situação suspeita. Nesses casos, a recomendação é interromper o contato e confirmar a informação diretamente com o advogado responsável pelo processo ou com a Defensoria Pública, utilizando os canais oficiais e já conhecidos.
O TJ-RJ também orienta que a pessoa não responda ao número ou contato utilizado na abordagem suspeita, evitando fornecer novas informações aos criminosos.
(Com informações do Juri News)
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