EUA desarticulam esquema de casamentos falsos para obtenção de green cards com participação de brasileiros

Data:

menor de 16 anos
Créditos: Nadtochiy | iStock

Autoridades dos Estados Unidos desarticularam um esquema de fraude matrimonial utilizado para facilitar a obtenção de green cards por imigrantes em situação migratória irregular. A investigação, conduzida em Massachusetts com a colaboração de dois brasileiros, aponta que a rede organizava casamentos fictícios com cidadãos americanos mediante pagamentos que chegavam a US$ 40 mil, aproximadamente R$ 200 mil.

Na quarta-feira, 21 de outubro, a Procuradoria formalizou acusações contra seis cidadãos americanos por fraude matrimonial e conspiração para abrigar estrangeiros em situação migratória irregular. O green card concede ao estrangeiro o direito de residência permanente nos Estados Unidos.

Segundo as investigações, o esquema funcionava havia cerca de 12 anos e era liderado por Jennifer Gonzalez, de 43 anos. Ela é acusada de organizar casamentos de fachada e de utilizar os valores recebidos para financiar a aquisição de imóveis na República Dominicana.

A própria Gonzalez teria participado da fraude ao se casar, em 2019, com um brasileiro que vivia nos Estados Unidos havia aproximadamente dez anos sem visto válido. Os investigadores apontaram indícios de que a união não era verdadeira.

Entre os elementos reunidos pelas autoridades estão solicitações de benefícios federais apresentadas por Gonzalez, nas quais ela não indicava o brasileiro como marido. Conversas monitoradas também teriam revelado que ela mantinha outro casamento, considerado verdadeiro, havia mais de 20 anos.

A investigação contou com a colaboração de dois brasileiros. Um deles havia participado do esquema e passou a auxiliar as autoridades na obtenção de provas. De acordo com o relato, ele entrou nos Estados Unidos com visto de turista em 2019 e permaneceu no país após o vencimento da autorização.

Em 2024, após ser indicado por um motorista de aplicativo, ele procurou Gonzalez para organizar um casamento fictício. Ela o encaminhou a Erica Daniels, apontada como integrante da rede. Além do pagamento de aproximadamente US$ 40 mil pelo casamento, o brasileiro teria sido obrigado a pagar uma quantia mensal de US$ 500 à mulher durante o período em que permanecessem formalmente casados. O acordo teria sido registrado em contrato assinado pelas partes.

Para dar aparência de autenticidade às uniões, os envolvidos realizavam cerimônias e produziam fotografias dos casais com roupas formais em prédios públicos, como a Prefeitura de Fall River. Pessoas também eram convocadas para representar amigos e familiares, criando registros que poderiam ser apresentados às autoridades migratórias como prova de um relacionamento legítimo.

As investigações também apontaram que Daniels havia se casado anteriormente com outro brasileiro e se separado dele pouco antes da união com o informante. A partir da colaboração desse brasileiro, outro imigrante foi apresentado a Gonzalez, em uma negociação acompanhada pelas autoridades e registrada em gravações. Segundo os investigadores, o esquema também envolvia Chreise Alejandro, de 39 anos, que teria se casado com outros dois brasileiros, em 2018 e 2023, em uniões consideradas fraudulentas.

A fraude matrimonial é utilizada por redes criminosas como meio de contornar as exigências migratórias e tentar evitar consequências decorrentes da permanência irregular no país. Massachusetts aparece com frequência em investigações desse tipo devido à presença expressiva da comunidade brasileira no estado.

O caso reforça a atuação das autoridades americanas no combate às fraudes migratórias e evidencia os riscos legais associados à participação em casamentos simulados para obter benefícios de imigração.

(Com informações da Folha de São Paulo por Mayara Paixão)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras em banheiros de escolas são proibidas no Paraná

O Paraná proibiu câmeras em banheiros e vestiários das escolas estaduais após uma estudante encontrar um dispositivo em um colégio de Cambé. A Polícia Civil e o Ministério Público investigam o caso, e a Secretaria de Educação instaurou apuração administrativa.

Golpe com audiência judicial falsa criada por IA causa prejuízo de R$ 324 mil a empresário

Um empresário de 72 anos perdeu cerca de R$ 324 mil após participar de uma falsa audiência judicial criada com inteligência artificial. Enganado por criminosos que simularam autoridades e advogados, ele realizou três transferências bancárias e decidiu processar o banco que autorizou as operações.

Som alto prejudica trabalho de advogado e lojas terão de indenizar

A Justiça de Santa Catarina condenou as Lojas Colombo e o Magazine Luiza a pagar R$ 3 mil por danos morais a um advogado cujo trabalho era prejudicado pelo som alto dos estabelecimentos. As empresas também deverão controlar o volume da música para não interferir no escritório vizinho.

TikTok vai pagar neuropsicopedagoga que teve perfil invadido e usado em golpes

O TJ-MG condenou a responsável pelo TikTok a recuperar permanentemente a conta de uma neuropsicopedagoga invadida por criminosos e pagar R$ 10 mil por danos morais. O tribunal reconheceu falha no dever de segurança e demora injustificada na solução do problema.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo