
A Kitchens, fabricante de móveis planejados de luxo, ingressou com pedido de recuperação judicial, perante o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A solicitação ocorre em meio a uma crise financeira marcada por atrasos na entrega de produtos, fechamento de lojas e ações judiciais movidas por consumidores que buscam a restituição dos valores pagos e indenizações.
O pedido foi apresentado conjuntamente por quatro empresas do grupo econômico: Kitchens Indústria e Comércio Ltda., Kitchens Decorações Planejamento de Interiores e Comércio Ltda., Kitchens Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda. e 6S Serviços e Participações Ltda.
Ao analisar a solicitação, a juíza Larissa Gaspar Tunala, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, determinou a redistribuição do processo para uma das varas regionais empresariais da 1ª Região Administrativa Judiciária. A magistrada entendeu que a competência para analisar o caso deve considerar a localização do principal estabelecimento do grupo econômico, situado em Guarulhos (SP). A decisão não examinou o mérito do pedido, cujo processamento ainda depende de apreciação pelo juízo competente.
Levantamento realizado pelo Migalhas identificou pelo menos 133 ações judiciais ajuizadas em 2026 contra a Kitchens nos Tribunais de Justiça de São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Distrito Federal. As demandas envolvem principalmente pedidos de rescisão contratual, restituição de valores pagos e indenizações por danos materiais e morais. São Paulo concentra a maior parte dos processos, com 110 ações, aproximadamente 83% do total identificado. O Distrito Federal aparece em seguida, com dez processos, seguido por Minas Gerais, com oito, e Ceará, com cinco. No Tribunal de Justiça de São Paulo, o Foro Central Cível da capital reúne 47 registros no levantamento.
Os números correspondem aos processos identificados nos quatro tribunais pesquisados e não representam, necessariamente, a totalidade das ações existentes no país. Além disso, a existência de demandas judiciais não significa que a responsabilidade da empresa tenha sido reconhecida em todos os casos.
A crise financeira também se reflete no fechamento de unidades comerciais. Em Fortaleza, a Kitchens foi alvo de uma ação de despejo relacionada ao atraso no pagamento do aluguel de um imóvel comercial. Segundo informações do Diário do Nordeste, a proprietária do imóvel apontou uma dívida superior a R$ 104 mil, incluindo honorários advocatícios. A Justiça determinou o despejo em agosto, mas a empresa desocupou voluntariamente o espaço em setembro. Na ocasião, a fabricante informou que já havia decidido encerrar as atividades naquele endereço por considerar a operação economicamente inviável e afirmou que os atendimentos e serviços de montagem na região seriam mantidos.
Em Brasília, uma unidade da marca também foi encontrada fechada no início de outubro, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo. Na entrada do estabelecimento, um aviso informava que o local estava temporariamente fechado para auditoria interna.
Fundada em 1964, a Kitchens consolidou sua atuação no mercado de móveis planejados de alto padrão, com projetos personalizados para cozinhas, dormitórios e outros ambientes residenciais. A empresa chegou a contar com 20 lojas no país, além de uma fábrica própria em Guarulhos (SP). O pedido de recuperação judicial representa mais um capítulo da crise enfrentada pelo grupo, que aguarda a análise do requerimento pelo juízo competente.
Processo: 4213329-13.2026.8.26.0100
(Com informações do Migalhas)
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