Cresce número de estrangeiros que se tornam cidadãos europeus em 2024

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documentação para cidadania italiana

A União Europeia alcançou, em 2024, o maior número de concessões de cidadania já registrado: cerca de 1,2 milhão de pessoas passaram a integrar formalmente o bloco como cidadãos nacionais de seus países-membros. Os dados, divulgados pelo Eurostat, revelam crescimento de 11,6% em relação a 2023 e uma expansão de 54,5% ao longo da última década.

O aumento reflete transformações estruturais nas dinâmicas migratórias globais, impulsionadas por guerras, crises econômicas e instabilidade política em diversas regiões. Entre os principais países de origem dos novos cidadãos estão a Síria, o Marrocos e a Albânia. Esses fluxos migratórios, intensificados nos últimos anos, têm repercussão direta nos pedidos de naturalização dentro do bloco.

No âmbito europeu, Alemanha, Espanha e Itália lideraram a concessão de cidadanias. A Alemanha, em especial, registrou um aumento expressivo, impulsionado tanto por reformas legislativas — como a redução do tempo mínimo de residência — quanto pelo amadurecimento de pedidos de refugiados que chegaram ao país na última década.

A Espanha concentrou grande parte das concessões em cidadãos originários do Marrocos e da Venezuela, refletindo laços históricos e linguísticos, além de fluxos migratórios recentes. Já a Itália manteve protagonismo na concessão de cidadania por descendência, beneficiando comunidades com forte presença histórica no país.

O Brasil aparece como o décimo país de origem mais frequente entre os novos cidadãos europeus, com aproximadamente 30 mil naturalizações em 2024. A maioria dos brasileiros obteve cidadania por meio do reconhecimento de ascendência familiar, especialmente na Itália, em Portugal e na Espanha. Esse modelo dispensa, em muitos casos, a exigência de residência prolongada, diferentemente de outros regimes de naturalização.

Os dados do Eurostat consideram apenas pessoas que já residiam em países da União Europeia, não incluindo processos realizados fora do território europeu. Entre os principais caminhos para aquisição da cidadania estão o tempo de residência legal, o casamento e o direito de sangue — este último bastante relevante para cidadãos de países com forte diáspora europeia.

Especialistas apontam que o crescimento contínuo das naturalizações revela não apenas o aumento da imigração, mas também uma maior consolidação de políticas de integração. A cidadania, nesse contexto, funciona como instrumento de inclusão social, acesso a direitos e participação plena na vida política e econômica dos países.

Por outro lado, mudanças recentes em legislações nacionais — como restrições a pedidos por descendência em alguns países — podem impactar o volume de concessões nos próximos anos, especialmente para grupos como os brasileiros.

O cenário atual demonstra que a União Europeia segue como um dos principais destinos migratórios do mundo, ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de equilibrar políticas de acolhimento, integração e regulação jurídica da nacionalidade.

(Com informações da Folha de São Paulo por Michele Oliveira)

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