
A Polícia Civil de São Paulo apura a atuação de um influenciador digital suspeito de utilizar ferramentas de inteligência artificial para manipular imagens de jovens e divulgá-las nas redes sociais sem autorização. O caso envolve o uso da tecnologia conhecida como deepfake, capaz de alterar fotos e vídeos com alto grau de realismo, criando situações que não ocorreram.
As investigações tiveram início após familiares de uma adolescente procurarem uma Delegacia de Defesa da Mulher na capital paulista para relatar o uso indevido da imagem da jovem. Segundo o relato, fotografias publicadas originalmente em contexto cotidiano foram alteradas digitalmente e inseridas em vídeos manipulados, que passaram a circular em plataformas online.
De acordo com a apuração, os conteúdos teriam sido ambientados em locais religiosos associados à Congregação Cristã no Brasil, o que ampliou a repercussão do caso. A polícia trabalha com a hipótese de que outras mulheres e adolescentes também tenham sido atingidas, razão pela qual realiza a análise de materiais divulgados e solicita que possíveis vítimas procurem as autoridades.
Inicialmente, o caso foi enquadrado em dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente que trata da simulação de conteúdo envolvendo menores por meios digitais. Com o avanço das investigações, também passou a ser analisada a possível prática de crimes contra a honra, como difamação, além de eventuais responsabilidades civis por danos morais decorrentes da exposição indevida.
Especialistas em direito digital ressaltam que o uso de inteligência artificial não elimina a responsabilidade de quem cria ou compartilha esse tipo de conteúdo. A manipulação de imagens sem consentimento pode configurar ilícito mesmo quando não há contato direto com a vítima, especialmente em situações que causem constrangimento ou afetem a reputação.
Além do aspecto jurídico, o caso evidencia os desafios trazidos pelo avanço das tecnologias de geração de imagem, que tornam cada vez mais difícil distinguir conteúdos reais de materiais manipulados. Organizações que atuam na proteção de direitos no ambiente digital alertam para o crescimento desse tipo de ocorrência e para a necessidade de mecanismos de prevenção e denúncia.
As plataformas digitais envolvidas informaram que possuem políticas de moderação e que removem conteúdos que violem suas diretrizes, especialmente quando há indícios de uso indevido de imagem ou exposição irregular de terceiros.
O inquérito segue em andamento, com coleta de provas, identificação de possíveis vítimas e análise do material divulgado. O investigado nega a prática de ilícitos.
(Com informações do G1 por Kleber Tomaz)
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