Associações defendem no STF destinação de recursos de ações por lavagem de dinheiro à Justiça Federal e ao MPF

Data:

Associações defendem no STF destinação de recursos de ações por lavagem de dinheiro à Justiça Federal e ao MPF | JuristasA Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) ajuizaram no Supremo Tribunal Federal (STF) a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1348, na qual pedem que os valores provenientes de bens apreendidos ou recuperados em ações penais por lavagem de dinheiro sejam distribuídos de forma equilibrada entre o Poder Executivo, a Justiça Federal e o Ministério Público Federal (MPF).

A ação está sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

As entidades questionam a constitucionalidade do Decreto nº 11.008/2022, que regulamenta a Lei de Lavagem de Dinheiro. Segundo a ANPR e a Ajufe, o decreto concentra a destinação dos recursos exclusivamente nas forças policiais federais, apesar de a legislação prever que os valores também possam ser utilizados por órgãos envolvidos na prevenção, investigação, persecução penal e julgamento desses crimes.

Pelas regras atualmente em vigor, 90% dos recursos oriundos de bens e direitos vinculados a processos da Justiça Federal são destinados ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol), enquanto os 10% restantes são destinados à Polícia Rodoviária Federal (PRF). Nos processos de competência da Justiça estadual e do Distrito Federal, a destinação dos recursos é definida pelos respectivos entes federativos.

Na avaliação das associações, o modelo vigente exclui instituições que desempenham papel essencial no combate à lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal, responsável pela propositura da ação penal pública, e a Justiça Federal, encarregada do processamento e julgamento dessas ações, não recebem qualquer parcela dos valores recuperados.

Para a ANPR e a Ajufe, a repartição dos recursos deve contemplar todos os órgãos que participam da repressão à criminalidade financeira, contribuindo para o fortalecimento da estrutura institucional necessária ao enfrentamento desses delitos.

Além do julgamento do mérito da ação, as entidades requerem a concessão de medida liminar para que a nova sistemática de distribuição dos recursos possa ser considerada na elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional.

(Com informações do STF por Adriana Romeo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo