Banco do Brasil deve indenizar família de gerente executado durante assalto

Data:

Banco do Brasil é condenado a pagar indenização por demora no atendimento
Créditos: joe1719 / Shutterstock.com

A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) confirmou uma decisão que condenou o Banco do Brasil S.A. a pagar uma indenização no valor de R$1,2 milhão à família de um gerente que foi morto durante um assalto na porta de uma agência bancária em Guaxupé (MG). A decisão foi unânime e reforçou a responsabilidade objetiva do banco, que não exige a comprovação de culpa.

O bancário, de apenas 29 anos, foi feito refém junto com sua esposa e seus dois filhos após criminosos invadirem sua residência. Na manhã seguinte, ele foi levado até a agência onde trabalhava para que o assalto fosse realizado. Entretanto, a polícia foi alertada, e o criminoso, com a arma na nuca do refém, decidiu matar o gerente e tentar fugir. Ele acabou sendo perseguido e morto pela polícia.

Em setembro de 2021, a esposa da vítima entrou com uma ação trabalhista pedindo a condenação do Banco do Brasil, com base na responsabilidade objetiva pela morte de seu marido e buscando uma indenização total de aproximadamente R$2 milhões.

dano moral
Créditos: Suwan Photo | iStock

O banco defendeu-se alegando que se tratava de um caso fortuito ou de força maior, atribuindo a responsabilidade ao Estado devido à questão de segurança pública. Argumentou que o assalto teve início fora do horário de trabalho e que não havia como o empregador prever o ocorrido.

No entanto, tanto o juízo da Vara do Trabalho de Guaxupé quanto o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) foram firmes em sua decisão, destacando a responsabilidade objetiva do banco. Segundo o TRT, o trabalho em agências bancárias é considerado uma atividade de risco em relação a crimes patrimoniais cometidos com violência ou grave ameaça, como é o caso de assaltos.

A decisão também destacou que o fato de a segurança pública ser uma obrigação do Estado não exclui, por si só, a responsabilidade do empregador, pois este deve suportar os riscos associados à atividade exercida.

Banco do Brasil deve indenizar família de gerente executado durante assalto | Juristas
Créditos: Sebastian Duda / Shutterstock.com

O Banco do Brasil tentou reverter a decisão por meio de um recurso ao TST, mas o relator, ministro Evandro Valadão, ressaltou que, de acordo com o entendimento do TST, a atividade bancária é considerada de risco, o que resulta na responsabilidade civil objetiva do empregador em casos como assaltos e sequestros. Portanto, a decisão do TRT foi considerada correta.

Essa decisão destaca a importância da segurança no ambiente de trabalho e a responsabilidade das empresas em proteger seus funcionários, especialmente em atividades de risco como as desenvolvidas em agências bancárias.

Com informações do Tribunal Superior do Trabalho (TST).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Sócio minoritário da Pixbet é preso na Paraíba durante operação da Polícia Federal

O empresário Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio minoritário da Pixbet, foi preso na Paraíba durante a segunda fase da Operação Arena, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes contra as ordens tributária e financeira, envolvendo movimentações internacionais, empresas no exterior e utilização de criptoativos.

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo