
O Banco Master realizou transferências de R$ 285 milhões ao fundo Astralo 95, suspeito de favorecer o banqueiro Daniel Vorcaro, pouco antes da decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central (BC). Os repasses, efetuados entre junho e setembro de 2025 pelo fundo Máxima 2, controlado integralmente pelo Master, estão sendo questionados judicialmente pelo liquidante do banco, que busca impedir que fundos e empresas vinculadas a Vorcaro se desfazam de bens do Master.
A maior parcela, de R$ 150 milhões, foi enviada em julho, e nos dias que antecederam o prazo final da liquidação, foram transferidos R$ 28 milhões adicionais em parcelas menores. Segundo o liquidante, não há justificativa econômica aparente para essas transações, que ocorreram em meio à dificuldade do banco em honrar compromissos com investidores em CDBs.
Fundo suspeito e operações ilegais
O Astralo 95 era administrado pela Reag Trust, gestora investigada na Operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado. O BC decretou a liquidação da Reag em janeiro de 2025. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que os beneficiários finais seriam os filhos de João Carlos Mansur, dono da Reag, suspeitos de atuar como “laranjas” de Vorcaro.
Na última terça-feira, a Justiça de São Paulo bloqueou a possível venda de bens vinculados a Vorcaro e aos fundos, por risco de “dilapidação irreversível do patrimônio”, que deveria servir para pagar credores.
Bens ligados a Vorcaro
O Astralo 95 é apontado como intermediário na transferência de cerca de R$ 700 milhões em ativos do Master para uma offshore nas Ilhas Cayman em 2025. O fundo é único cotista do Fundo Termopilas, que controla a Super Empreendimentos e Participações S.A., responsável pela aquisição de imóveis de luxo do banqueiro, incluindo:
- Mansão de R$ 36 milhões no Lago Sul, Brasília, adquirida em junho de 2024;
- Apartamento duplex de aproximadamente 600 m² no Jardim Paulista, São Paulo, comprado em abril de 2023 por cerca de R$ 30 milhões.
O liquidante também questiona a participação do Fundo Galo Forte, outro cotista único do Astralo 95, na SAF do Atlético Mineiro, suspeitando que Vorcaro tenha investido recursos desviados do banco no clube.
Investigação e prisão
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026 na Penitenciária Federal de Brasília, após a terceira fase da Operação Compliance Zero. O STF, por decisão do ministro André Mendonça, determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens dos investigados, abrangendo fundos e empresas ligados ao esquema. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro, também está detido.
(Com informações do UOL por Natália Portinari)
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