STF avalia repercussão geral sobre constrangimento de vítima em caso de estupro

Data:

STF avalia repercussão geral sobre constrangimento de vítima em caso de estupro | Juristas
Créditos: Gorosi/Shutterstock.com

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciará nesta sexta-feira (20) a análise da repercussão geral do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1541125, envolvendo alegações de constrangimento sofrido por uma vítima durante audiência em processo por estupro. A sessão virtual, que se estende até o dia 27 de março, definirá se a questão apresenta relevância jurídica, social, política ou econômica para além do caso específico. Caso seja reconhecida a repercussão geral, o mérito do recurso será julgado pelo Plenário em data a ser marcada, e poderá gerar tese vinculante para processos similares.

O recurso foi interposto por Mariana Ferrer, que afirma ter sido submetida a sarcasmo, ironia, humilhações e insinuações sexuais por parte do advogado de defesa do acusado, André de Camargo Aranha, durante audiência em que prestou depoimento como vítima. Segundo a recorrente, o constrangimento ocorreu sem intervenção do juiz, do promotor ou do defensor público, configurando violação ao princípio constitucional da dignidade humana. Ela pleiteia a anulação da sentença que absolveu o acusado. O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes.

A questão preliminar

Na fase inicial de análise, o Plenário Virtual verificará se o caso atende aos critérios de repercussão geral, ou seja, se a controvérsia apresenta relevância ampla e ultrapassa os interesses individuais das partes. Reconhecida a repercussão, o STF poderá fixar uma tese jurídica obrigatória para os tribunais inferiores em situações análogas, garantindo uniformidade na interpretação da Constituição.

Contexto do processo

O caso refere-se a um episódio ocorrido em 2018, quando Mariana Ferrer acusa André de Camargo Aranha de tê-la drogado e estuprado. Perícias confirmaram a relação sexual, a perda da virgindade da vítima e a presença de material genético do acusado em suas roupas íntimas. Testemunhas e o promotor reconheceram que a vítima estava em estado de vulnerabilidade.

Mesmo com esses elementos, a absolvição foi mantida tanto na primeira instância quanto pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), sob alegação de insuficiência de provas. No recurso ao STF, Mariana argumenta que a violação à sua dignidade comprometeu todo o processo, configurando desrespeito ao devido processo legal, já que seu depoimento foi “completamente ignorado” nos recursos julgados pelo TJ-SC.

(Com informações do STF)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo