Banco Mundial destaca uso de IA pelo STF para agilizar análise de processos

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Créditos: Belenox | iStock

O Banco Mundial destacou o uso de inteligência artificial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como exemplo de aplicação da tecnologia para aumentar a eficiência da prestação jurisdicional. A referência consta do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2026: A Promessa da Inteligência Artificial, divulgado no início de agosto.

O documento cita o Victor, sistema desenvolvido pelo STF em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), como exemplo de utilização de inteligência artificial na análise de documentos jurídicos. Segundo o relatório, a ferramenta reduziu de aproximadamente 40 minutos para cinco segundos o tempo necessário para relacionar recursos a temas de repercussão geral.

A automatização corresponde a uma etapa inicial da análise processual. As demais fases continuam dependendo da atuação de magistrados e servidores.

Victor automatiza classificação inicial

Em funcionamento desde 2018, o Victor atua como um classificador de processos. O sistema analisa as peças recursais e identifica possíveis correspondências com temas de repercussão geral já existentes.

A ferramenta, entretanto, não decide se o processo deve ser efetivamente enquadrado em determinado tema. A avaliação jurídica permanece sob responsabilidade humana.

Desenvolvido inicialmente pelo STF em parceria com a UnB, o sistema passou por sucessivas atualizações realizadas pelas equipes do Tribunal para acompanhar a evolução tecnológica e as mudanças nos fluxos de trabalho.

Tecnologia aplicada à Justiça

No relatório, o Banco Mundial aborda o uso de inteligência artificial por órgãos públicos e ressalta a importância da existência de documentos digitalizados e estruturados para ampliar as possibilidades de aplicação da tecnologia.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que o reconhecimento demonstra a possibilidade de incorporar inovação tecnológica ao Judiciário com responsabilidade e finalidade pública.

Segundo o ministro, a inteligência artificial pode auxiliar na redução de tarefas repetitivas, permitindo que magistrados e servidores concentrem esforços em atividades que exigem interpretação, análise e sensibilidade humana. A decisão judicial, contudo, permanece sob responsabilidade das pessoas.

Nome homenageia ministro Victor Nunes Leal

O sistema recebeu o nome de Victor em homenagem ao ministro Victor Nunes Leal, que integrou o STF entre 1960 e 1969.

Considerado pioneiro na sistematização da jurisprudência do Supremo, Victor Nunes Leal foi um dos principais responsáveis pela criação das súmulas, utilizadas para organizar entendimentos consolidados da Corte e auxiliar na orientação dos julgamentos.

STF ampliou uso de inteligência artificial

O Victor foi seguido por outras iniciativas de aplicação de inteligência artificial no STF.

Em 2022, o Tribunal desenvolveu a RAFA 2030, destinada à classificação de processos de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

No ano seguinte, entrou em operação a VitorIA, sistema baseado em similaridade textual que identifica processos relacionados entre si. A ferramenta permite localizar conjuntos de casos semelhantes, auxiliar na identificação de processos que podem receber tratamento conjunto e apontar possíveis novos temas para análise em repercussão geral.

Mais recentemente, o STF passou a desenvolver a plataforma MARIA, que reúne diferentes funcionalidades de inteligência artificial voltadas à análise processual e à produção de documentos.

Entre os recursos previstos estão revisão gramatical e textual, consulta de precedentes, geração de ementas e relatórios e classificação automática de assuntos. A plataforma foi estruturada em módulos, permitindo a incorporação de novas funcionalidades.

O Tribunal também trabalha no desenvolvimento de uma ferramenta de indexação, pesquisa e validação baseada em inteligência artificial para a jurisprudência do STF.

Atuação humana continua indispensável

Segundo o secretário-geral de Tecnologia e Inovação do STF, Júlio Gomides, o Victor representou o início de uma estrutura mais ampla de inteligência artificial dentro da Corte.

A orientação adotada pelo Tribunal é utilizar a tecnologia principalmente em tarefas mecânicas e repetitivas, de modo a agilizar procedimentos e fornecer informações para subsidiar o trabalho dos profissionais.

A interpretação das normas jurídicas, a análise das particularidades de cada processo e a tomada de decisões continuam sob responsabilidade de magistrados e servidores.

Confira aqui o relatório.

(Com informações do STF por Cezar Camilo)

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