Barroso se posiciona contra PEC do voto monocrático que limita decisões do STF

Data:

Eleições Municipais - Luís Roberto Barroso
Créditos: Reprodução do Youtube – SBT Jornalismo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, expressou sua discordância em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/21, conhecida como PEC do Voto Monocrático. A PEC, aprovada rapidamente na Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) do Senado, busca limitar as decisões de tribunais superiores, mas Barroso argumenta que o STF desempenhou um papel fundamental na proteção da democracia brasileira e não é o momento de restringir seu papel.

Barroso compreende a natureza dos debates públicos no Congresso, mas enfatiza que o STF tem sido um guardião da democracia desde a redemocratização do Brasil e que suas ações foram particularmente cruciais em tempos de extremismos políticos.

O presidente do STF acredita que, dada a atual situação política do país, é fundamental manter o papel da Alta Corte como defensora da democracia e dos direitos fundamentais dos cidadãos.

STF / Ministro Marco Aurélio / Gilmar Mendes / Ricardo Lewandowski / Nunes Marques /
Sessão solene de posse do novo ministro da Corte, Cristiano Zanin, no Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

“[O STF] foi um bom guardião da Constituição contra o autoritarismo e contra as posições extremistas. O STF é passível de críticas como qualquer instituição democrática, mas em uma instituição que vem trabalhando bem, eu não vejo razão para que haja modificações no funcionamento do STF”, disse o presidente.

A PEC, de autoria do senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), representa uma resposta do Senado alegando “invasões de competência” por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em questões relacionadas a temas sociais, como a legalização da maconha e do aborto, bem como em questões políticas alinhadas ao governo, como a cobrança do imposto sindical e a rejeição do marco temporal para terras indígenas.

A estratégia do Senado visa evitar que decisões tomadas por um único juiz do STF tenham um impacto significativo sobre as ações previamente estabelecidas pelo Congresso Nacional. O objetivo é restringir decisões individuais de magistrados do STF e dar prioridade às decisões do colegiado da Corte.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), enfatizou a importância de o Supremo Tribunal Federal (STF) respeitar os limites estabelecidos pela Constituição. Ele argumentou que é necessário delimitar claramente o campo de atuação de cada um dos Poderes. Essa declaração foi feita durante a abertura de um evento em comemoração aos 35 anos da promulgação da Constituição.

Por outro lado, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tem defendido a ideia de estabelecer mandatos para os ministros do STF. Ele mencionou que esse assunto pode ser debatido no Senado após a nomeação do substituto da ministra Rosa Weber, que recentemente se aposentou do STF.

Com informações do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo