CNJ implanta autenticação em dois fatores no PJe para combater golpes

Data:

curso pje
Créditos: Casper1774 Studio | iStock

A partir desta segunda-feira (3), usuários externos do Processo Judicial Eletrônico (PJe) — incluindo advogados, partes e demais interessados — deverão utilizar a autenticação em dois fatores (MFA – Multi-Factor Authentication) ao acessar os sistemas judiciais. A medida, implementada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também será obrigatória para usuários do Jus.Br e da Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ).

A iniciativa, atendendo a um pedido da OAB, tem como objetivo reduzir riscos de fraudes, especialmente golpes como o do falso advogado. Embora não elimine completamente os riscos — já que dispositivos infectados por malware ainda podem ser vulneráveis —, o MFA adiciona uma camada extra de segurança contra acessos indevidos.

Luciano Kuppens, chefe da Divisão de Segurança da Informação do CNJ, destacou que a expectativa é reduzir significativamente a incidência de fraudes. Segundo ele, a autenticação em dois fatores é apenas a primeira de uma série de medidas planejadas para reforçar a segurança dos sistemas judiciais, coordenadas pelo conselheiro João Paulo Schoucair, presidente da Comissão de Tecnologia da Informação e Inovação.

Funcionamento do novo acesso

No primeiro login, o usuário deverá escanear um QR Code para vincular o aplicativo autenticador ao sistema. Nos acessos seguintes, será necessário inserir um código de seis dígitos gerado pelo aplicativo, atualizado automaticamente a cada minuto. O CNJ orienta que o aplicativo da Microsoft não será mais compatível, recomendando o uso de apps que leiam QR Code e gerem códigos temporários.

O login com certificado digital, Gov.br (autenticação biométrica) e o MFA já em uso permanecem válidos. A exigência do novo MFA vale apenas para usuários externos; magistrados e servidores continuarão utilizando o envio de códigos para e-mails institucionais.

Golpe do falso advogado

O golpe ocorre quando criminosos obtêm dados de processos judiciais e se passam por advogados das partes, solicitando transferências via Pix sob o pretexto de liberar créditos judiciais. O CNJ orienta que nenhum pagamento seja feito sem confirmação direta com o advogado ou com o tribunal, recomendando ainda a checagem da identidade do profissional no site da OAB ou na plataforma Confirma ADV.

A medida reforça a proteção de dados e busca aumentar a segurança dos usuários do PJe frente a fraudes cada vez mais sofisticadas.

(Com informações de Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo