CNJ prioriza audiências presenciais para proteger vítimas de violência doméstica

Data:

juizados
Créditos: Aerogondo | iStock

O Conselho Nacional de Justiça aprovou, por unanimidade, a alteração da Resolução 354/2020 do CNJ para estabelecer que audiências em processos de violência doméstica e familiar contra a mulher ocorram, preferencialmente, de forma presencial. A decisão foi tomada durante a 5ª Sessão Ordinária de 2026, no julgamento do Pedido de Providências 0002221-09.2025.2.00.0000.

A nova diretriz limita a realização de audiências virtuais a situações excepcionais, desde que devidamente justificadas. A proposta foi apresentada pela advogada Hellen Falcão de Carvalho, que destacou a importância de garantir um ambiente seguro para as vítimas durante os atos processuais.

Segundo a autora do pedido, o uso da tecnologia não é, por si só, um problema, mas pode representar riscos concretos à segurança das mulheres. Ela mencionou um caso ocorrido no Distrito Federal em que uma vítima participou de audiência virtual enquanto estava sob coação do agressor, situação inicialmente não percebida. Para a advogada, o ambiente virtual pode, em determinados contextos, coincidir com o espaço de controle do agressor, comprometendo a liberdade da vítima.

Relator do caso, o conselheiro Ulisses Rabaneda enfatizou que a violência doméstica configura uma grave violação de direitos fundamentais. Ele citou dados preocupantes, como o fato de que parcela significativa das mulheres não reconhece situações de violência e milhões vivem em contextos de agressão. Para o relator, além do endurecimento de penas, é essencial adotar medidas institucionais eficazes que assegurem proteção e autonomia às vítimas.

Rabaneda também ressaltou que, embora a virtualização represente avanço no acesso à Justiça, é necessário estabelecer limites em casos sensíveis, a fim de evitar que a tecnologia comprometa a segurança das partes envolvidas.

O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, destacou a relevância da medida diante da gravidade da violência contra a mulher no país. Segundo ele, a decisão alia racionalidade jurídica e sensibilidade social, sendo um passo importante no enfrentamento desse tipo de violência.

Com a mudança, o CNJ reforça a adoção de uma perspectiva de gênero no sistema de Justiça, priorizando a segurança das vítimas e a efetividade da prestação jurisdicional em casos de violência doméstica.

Confira a íntegra da sessão em: 5ª Sessão Ordinária de 2026 – 14 de abril (Manhã)

(Com informações da Agência CNJ de Notícias por  Kellen Rechetelo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo