Combate à Violência contra a Mulher: TJSP Reforça Estrutura e Políticas Judiciárias durante o Agosto Lilá

Data:

Combate à Violência contra a Mulher: TJSP Reforça Estrutura e Políticas Judiciárias durante o Agosto Lilá | JuristasDurante o mês de agosto, conhecido como Agosto Lilás, celebra-se nacionalmente a campanha de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A data remete ao aniversário da promulgação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que completa 19 anos em 7 de agosto de 2025. O marco normativo é referência na proteção dos direitos das mulheres e na repressão à violência de gênero, promovendo instrumentos como medidas protetivas e a definição dos diversos tipos de violência doméstica e familiar.

No âmbito do Estado de São Paulo, o Tribunal de Justiça (TJSP) tem intensificado seus esforços para ampliar e qualificar a resposta institucional à violência contra a mulher. Entre janeiro e julho de 2025, foram distribuídos 126 mil processos relativos à violência de gênero, e 67 mil medidas protetivas de urgência foram concedidas na capital e nas comarcas do interior.

Ampliação da Estrutura Judiciária Especializada

Atento ao crescimento da demanda, o TJSP conta hoje com 23 varas especializadas em violência doméstica e familiar contra a mulher (11 na Capital e 12 no Interior), além de 16 anexos judiciais especializados. Sob a gestão do presidente desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, novas unidades foram instaladas nas comarcas de Santos, Campinas, Ribeirão Preto, Itapevi e Matão.

Segundo o presidente, “é imperativo que o Poder Judiciário atue de forma firme e eficiente no combate a essa forma abominável de violência, assegurando uma prestação jurisdicional célere e de qualidade às vítimas”.

A especialização da estrutura judiciária acompanha o avanço dos índices processuais. Em 2016, foram 41,7 mil processos distribuídos; em 2024, esse número chegou a 144,3 mil, representando crescimento contínuo e expressivo. Os tipos de violência mais recorrentes incluem feminicídio, lesão corporal e violência psicológica.

Medidas Protetivas: Crescimento e Conscientização

A concessão de medidas protetivas de urgência, instrumento essencial previsto na Lei Maria da Penha, também registrou aumento relevante: de cerca de 20 mil em 2016 para mais de 103 mil em 2024, o que representa crescimento superior a 400%. Esse dado pode ser interpretado como reflexo de maior confiança das mulheres no sistema de justiça e no fortalecimento da rede de apoio institucional.

Classificações da Violência na Lei Maria da Penha

A Lei nº 11.340/06 define cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher:

  • Física: uso de força ou agressão corporal.
  • Psicológica: danos emocionais causados por ameaças, humilhações, perseguições ou isolamento.
  • Sexual: coerção à prática sexual não consentida, imposição de maternidade, aborto forçado ou negação de direitos reprodutivos.
  • Patrimonial: retenção, destruição ou subtração de bens, documentos, instrumentos de trabalho.
  • Moral: calúnia, difamação e injúria.

Atuação Institucional Integrada

O TJSP, por meio da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comesp), desenvolve projetos voltados à prevenção, acolhimento e conscientização. Entre as iniciativas destacam-se:

  • Carta de Mulheres
  • Projeto Fênix
  • #Rompa, que também dá nome ao prêmio anual destinado a reconhecer ações de combate à violência contra a mulher, promovido em parceria com a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis).

O TJSP participa, ainda, de instâncias nacionais como o Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) e o Colégio de Coordenadores da Mulher (Cocevid), além de campanhas coordenadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a Semana da Justiça pela Paz em Casa.

Outro canal importante é a Ouvidoria da Mulher, que recebe denúncias, orienta vítimas e acompanha os casos em tramitação, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas e judiciárias.

Campanha Nacional Integrada e Rede de Comunicação

A partir deste mês, os 27 Tribunais de Justiça estaduais iniciam uma campanha nacional unificada de comunicação, articulada pela Rede de Comunicação dos Tribunais de Justiça (Redecom). A iniciativa visa ampliar o alcance das boas práticas locais e fortalecer a visibilidade das ações do Poder Judiciário no combate à violência de gênero. A campanha culminará, em 2026, na celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha, com ações conjuntas e identidade visual padronizada.

Canais de Denúncia

A denúncia de violência contra a mulher pode ser feita por diversos canais:

  • Delegacia Eletrônica da Polícia Civil (online e gratuita)
  • Central de Atendimento à Mulher — 180
  • Emergências — 190 (Polícia Militar)
  • Disque Direitos Humanos — 100
  • Defensoria Pública, Ministério Público e Guarda Civil Municipal

A disseminação dessas ferramentas visa não apenas garantir o acesso à Justiça, mas também reforçar a importância da denúncia como ato de ruptura com o ciclo de violência.

(Com informações do TJSP)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo