Conselho Nacional de Justiça estabelece medidas para assistência a familiares de desaparecidos

Data:

Conselho Nacional de Justiça estabelece medidas para assistência a familiares de desaparecidos | JuristasO Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira (26/8) um conjunto de diretrizes e procedimentos para garantir atenção integral e suporte às famílias de pessoas desaparecidas. Reconhecendo esses familiares como vítimas indiretas, a resolução busca tornar os processos judiciais mais acessíveis, céleres e humanizados. A medida foi aprovada por unanimidade durante a 11ª Sessão Ordinária de 2025, por meio do Ato Normativo 0006101-09.2025.2.00.0000.

Com foco na humanização da Justiça, o texto prevê a implementação de audiências prioritárias, utilização de linguagem clara nos processos, valorização da escuta qualificada e maior articulação entre órgãos públicos para oferecer atendimento multidisciplinar. A iniciativa reforça o compromisso do Judiciário com os direitos humanos e a proteção integral das pessoas afetadas pelo desaparecimento, conforme tratados e convenções internacionais ratificados pelo Brasil.

O corregedor nacional de justiça e relator do processo, ministro Mauro Campbell Marques, destacou que a morosidade nos processos de declaração de ausência e morte presumida causa impactos jurídicos, administrativos, econômicos e psicossociais profundos às famílias. Segundo ele, a adoção de procedimentos padronizados, como audiências prioritárias e integração de bases de dados públicas, contribuirá para maior celeridade e segurança jurídica, sempre respeitando os princípios da dignidade da pessoa humana, acesso à Justiça, proteção integral e não revitimização.

A resolução é resultado de um trabalho colaborativo liderado pelo Programa Justiça Plural (CNJ/Pnud), com apoio técnico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), e foi consolidada durante o III Encontro sobre Aspectos Jurídicos do Desaparecimento, coordenado pelo conselheiro do CNJ José Rotondano.

Atendimento humanizado e acesso facilitado

A normativa determina que os familiares sejam tratados com respeito, acolhimento e escuta ativa, assegurando-lhes participação efetiva nos processos judiciais e acesso simplificado às informações. Tribunais deverão garantir atendimento especializado mesmo em locais sem Centros de Atenção às Vítimas (CEAVs), utilizando canais como ouvidorias e plantões.

Nos casos de declaração de ausência ou morte presumida, juízes e juízas deverão priorizar o andamento dos processos, realizando audiências em até 30 dias e mantendo contato direto com os requerentes. A resolução também considera diversos arranjos familiares, incluindo uniões estáveis, laços afetivos e convivência, para análise de legitimidade nos pedidos judiciais.

Para pessoas menores de 18 anos, a resolução reafirma a prioridade absoluta e a proteção integral, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ferramentas para localização e sigilo

Para acelerar a localização de pessoas desaparecidas, o CNJ reforça o uso de sistemas públicos como o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), consultas à Receita Federal e ofícios à Polícia Federal para verificação de registros de saída do país.

O acesso ao Banco Nacional de Perfis Genéticos será permitido para verificar compatibilidade entre material genético de familiares e perfis existentes. Em casos excepcionais, também poderá ser solicitado o ingresso em programas de proteção a vítimas e testemunhas, como o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita) e o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), garantindo o sigilo absoluto das informações.

A resolução incentiva ainda a articulação entre órgãos públicos e instituições para que os processos sejam conduzidos com maior eficiência e sensibilidade, com o objetivo de que nenhuma família fique desamparada diante do desaparecimento de um ente querido.

(Com informações da Agência CNJ de Notícias)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Primeiros processos sob nova sistemática da relevância da questão federal serão analisados pelo STJ

O STJ realizará, entre 30 de setembro e 6 de outubro, as primeiras sessões virtuais para análise de processos submetidos à nova sistemática da relevância da questão federal. As três Seções especializadas examinarão controvérsias relacionadas a atividade especial por exposição à eletricidade, honorários advocatícios em cobranças de taxas condominiais e utilização da palavra da vítima em processos envolvendo estupro de vulnerável e assédio sexual. O novo sistema prevê diferentes procedimentos conforme o reconhecimento ou não da relevância e poderá resultar na formação de precedentes qualificados.

Banco Central amplia de 30 para 80 dias prazo para contestar devoluções do Pix pelo MED

O Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestação de devoluções realizadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix quando o recebedor suspeitar que o mecanismo foi acionado de forma fraudulenta. A mudança entrou em vigor em 1º de setembro e beneficia especialmente comerciantes e prestadores de serviços que podem sofrer com falsas alegações de fraude após receberem pagamentos. O prazo para a vítima de um golpe solicitar o MED permanece em até 80 dias após a transferência original.

Cristiano Zanin é reconduzido ao cargo de ministro substituto do TSE por mais dois anos

O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi reconduzido para mais dois anos no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele integra a composição da corte eleitoral desde agosto de 2024. O TSE é formado por sete ministros titulares e sete substitutos, com representação do STF, do STJ e da advocacia. O novo mandato de Zanin terá duração de dois anos, conforme as regras aplicáveis aos ministros indicados pelo Supremo.

STJ aplica multa por litigância de má-fé após identificar comando oculto para manipular sistema de IA

A Segunda Turma do STJ aplicou multa de 10% sobre o valor da causa por litigância de má-fé após identificar um prompt injection oculto em uma petição de recurso especial assinada por um procurador municipal. O comando buscava influenciar sistemas de inteligência artificial do tribunal para favorecer o pedido apresentado no processo. O STJ considerou a conduta grave e determinou a comunicação do caso à OAB, ao MPF, à Polícia Federal e ao município. O relator destacou que advogados são responsáveis pelo conteúdo das peças que assinam e protocolam, devendo garantir sua autenticidade e regularidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo