Construção realizada em lote gera direito à indenização mesmo após a rescisão contratual

Data:

fotógrafo
Créditos: fermate | iStock

A Segunda Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve, por unanimidade, a condenação de empresa imobiliária ao pagamento de indenização pelas benfeitorias realizadas em lote objeto de contrato de compra e venda posteriormente rescindido.

No caso concreto, o adquirente celebrou contrato para a compra de terreno desprovido de edificação e, durante a vigência do ajuste, promoveu a construção de imóvel no local. Em razão do inadimplemento das parcelas ajustadas, o contrato foi rescindido, com a consequente retomada da posse do bem pela vendedora, já acrescido da edificação.

A empresa imobiliária interpôs recurso sustentando a inexigibilidade da indenização, sob o argumento de que o comprador foi revel na demanda, não teria comprovado a regularidade da obra e tampouco formulado pedido expresso de ressarcimento pelas benfeitorias.

Ao apreciar o recurso, a relatora, desembargadora Maria Helena Gargaglione Póvoas, destacou que o direito à indenização por benfeitorias encontra amparo legal e independe de requerimento específico, desde que comprovada a realização da obra e a valorização do imóvel. Ressaltou, ainda, que a revelia do comprador não afasta automaticamente o direito à indenização, sobretudo quando inexistem elementos capazes de infirmar a regularidade da construção.

O colegiado assentou que competia à vendedora demonstrar eventual irregularidade relevante da edificação, ônus do qual não se desincumbiu. Assim, afastar a indenização implicaria enriquecimento sem causa da empresa, vedado pelo ordenamento jurídico.

Processo nº 1002892-43.2020.8.11.0045

(Com informações do TJMT por Flávia Borges)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo