
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (18) que as alterações propostas por deputados ao projeto de lei contra facções criminosas — enviado pelo governo ao Congresso — retiram recursos da corporação e podem enfraquecer o combate ao crime organizado. Ele participou de audiência pública da CPI do Crime Organizado.
Segundo Rodrigues, o relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) reduz verbas destinadas à PF ao retirar recursos previstos em três fundos: o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da PF (Funapol), o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Nacional Antidrogas (Funad).
“Estamos falando de descapitalizar o crime organizado. Não podemos propor algo que descapitalize a Polícia Federal”, afirmou o diretor, destacando que a instituição precisa de mais recursos, e não menos.
Projeto antifacção
O PL 5.582/2025 foi apresentado pelo Executivo após operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha. Conhecido como “projeto antifacção”, o texto original prevê a criação do crime de organização criminosa qualificada e o reforço dos mecanismos de repressão nas esferas penal, cível e administrativa.
Defesa da cooperação entre forças de segurança
Durante a sessão, Rodrigues defendeu também a aprovação da PEC 18/2025, que amplia a coordenação entre a PF e as polícias civis e militares. Para ele, a proposta fortalece a articulação nacional no enfrentamento às organizações criminosas.
“A PEC vai permitir uma coordenação maior e uma responsabilidade maior da União. Já atuamos em cooperação com os estados, mas há espaço para aprimoramentos”, afirmou.
O diretor criticou ainda a polarização em torno do tema. “É preciso enfrentar o crime organizado tirando poder econômico e retirando lideranças de circulação. O crime não é problema apenas de polícia, é problema de Estado.”
Operação Compliance Zero
Rodrigues citou a operação Compliance Zero, deflagrada pela PF na manhã desta terça-feira e que prendeu o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. A fraude investigada pode chegar a R$ 12 bilhões. Segundo o diretor, a corporação tem ampliado significativamente o valor apreendido: R$ 3 bilhões em 2023, R$ 6,4 bilhões em 2024 e estimativa de R$ 9 bilhões em 2025.
Reações dos parlamentares
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que já existem estruturas de cooperação entre a PF, estados e Forças Armadas, e criticou “mitos” que dificultam a atuação conjunta.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que o debate será conduzido “com rigor e imparcialidade”, para entender o funcionamento das facções e seus financiadores.
Já o senador Sergio Moro (União-PR) afirmou que há uma “escalada do crime organizado” e questionou se a PF tem atuado de forma suficientemente incisiva no enfrentamento às grandes organizações.
Em contraponto, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), defendeu a corporação e criticou tentativas de “enfraquecer a PF” por meio da redução de recursos.
(Com informações da Agência Senado)
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